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 Beau G. Edmond [Postagens]

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Beau

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MensagemAssunto: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:08 pm


BEAU GARRET EDMOND

Era fim de tarde chuvoso em uma sexta-feira quando a campainha do Orfanato Estrela Cadente tocou três vezes seguidas. Dona Carmen, uma das superiores do local, aos seus 70 e poucos anos, andou o mais rápido que pôde para atender o visitante.  Seu esforço de rapidez havia sido em vão. Assim que abriu a porta de entrada do lugar, apenas encontrou um cesto com um bebê, que aparentava ter uns cinco meses, dormindo. A velha ainda ficou um tempo olhando para os lados, mas sua pouca visão juntamente com a forte chuva impossibilitou-a avistar qualquer sinal da presença de mais alguém. Por cima da criança, um cartão esverdeado deixava claro qual deveria ser o seu nome: Beau.

E aquela fora a história que o garoto ouviu repetidas vezes durante o seu crescimento no orfanato. Beau era uma das crianças mais bonitas do lugar e de uma forma ou outra, sempre conseguia com que os casais que apareciam para adoção, lhe escolhessem. Entretanto, sua vida com seus ‘novos pais’ duravam no máximo dois dias. Surpreendentemente, alguma coisa acontecia e sempre o devolviam alegando não estarem preparados para cuidar daquele menino.

Mesmo sendo ‘rejeitado’ várias vezes isso não o aborrecia, pelo contrário, ele acreditava que o orfanato era o seu lar e que a Dona Carmem era a única quem ele ia considerar família. E de fato, foi o que aconteceu: viveu até os 16 anos naquele lugar. Até o dia em que, durante uma ida a New York, um homem encapuzado o abortou e se transformou em um grande monstro a sua frente. Se não fosse por um filho de Ares que estivera encarregado de encontrar semideuses naquela cidade, provavelmente o jovem filho do amor não estaria vivo para contar história.

Foram preciso dois dias de conversa e insistência, por parte do filho de Ares, até Beau entender tudo que se passou e o que ele era. De alguma forma o orfanato em que vivia era protegido magicamente contra monstros, o que fazia com que não fosse localizado durante todo esse tempo em que viveu lá. Por outro lado, as vezes que o devolviam para lá, era por causa de coisas estranhas que aconteciam relacionadas a sua parte divina.

Era seu aniversário de dezessete anos quando o filho de Eros se despediu de vez daquele velho orfanato e pisou pela primeira vez no lugar onde ele aprenderia sobre o mundo ao qual ele estava inserido e sobre como ser um semideus. O Acampamento Meio-Sangue.

17 anos
Homossexual
Eros


Mais sobre você on.
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

Como um genuíno filho de Eros, Beau vive em torno do ‘Erotismo’ e tem seu corpo como uma das armas principais para tal. Por isso, está sempre cuidando do mesmo para parecer bonito aos seus olhos e, principalmente, aos olhos de terceiros:

Cabelos pretos e levemente ondulados. Olhos esverdeados, quase cinza. Dentes praticamente perfeitos e brancos. Corpo bem definido, nada exagerado. Três tatuagens: uma em cada braço e uma escrita pequena em sua costela esquerda. Estatura mediana.


CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS.

Beau tem um sério problema com o amor: não acredita nele. O que se torna irônico se parar para perceber de quem é filho. Nunca se apaixonou e não sente a necessidade do mesmo. Possui um lado sexual bastante elevado, provavelmente possui um pouco dos genes de Hímeros, irmão gêmeo de seu pai.

Apesar de não ter a necessidade do amor(seja ele de qualquer forma), não se sente só, o que acontece com as pessoas que age como ele. O que passa a imagem de individualista. Entretanto, quando na presença de outros, costuma ser aquele que puxa o assunto por gostar de falar e ser bastante curioso.


Responda :

Por que escolheu esse grupo ?
Além de ser um deus ao qual admiro, parecia ser o que melhor se encaixaria com a história da personagem.
Apelidos : Não tem.
Um segredo ?
Se contar, vai deixar de ser um segredo não é? Brincadeira. Beau tem uma grande admiração pela profissão de Stripper, já quis ser um, mas não fala a ninguém com medo de ser julgado.
O que mais te irrita ?
Mentiras. Não uma mentirinha necessária, o que ele faz as vezes. Mas aquelas desnecessárias e que 'machucam'.



Informações Adicionais
Sobre você

Um medo? Solidão
Gostos e Desgostos? Gostos: Musica POP, literatura estrangeira, comidas. | Desgostos: Falsidade, exploração, patati e patatá.
Se descreva em apenas uma palavra? Garfield.
Redes sociais

Facebook : --
Twitter : --
Tumblr : --
Skype : --

Fale um pouco de você.

Não gosto muito de falar sobre mim, serei breve: Tenho costume de ficar sempre em meu canto e não gosto de tomar a iniciativa para falar com outras pessoas. Entretanto, se tenho intimidade, costumo ser aquele que zoa todo mundo. Tenho uma aptidão para lógica, por isso procuro o sentido em tudo (ações, filmes, etc )


Código por Oyuki ♣ 2012
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Beau

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:14 pm

Dia 2 Estábulos 14:00 Meeting
No, I'm not your pet!


Se saber que era um semideus foi algo complicado para mim, imagine descobrir que tenho que cuidar de um cavalo com asas que apareceu no estábulo? Segundo o líder do chalé, Eros manda de presente um pégaso para os seus filhos, chegando um novo a cada descendente do deus que aparece no acampamento. Meu último animal de estimação morreu de fome, o peixinho Stuart. Daí já dá para entender a minha atenção com bichanos.

Um de meus irmãos, que inclusive não consigo chamá-lo assim em voz alta, me recomendou aparecer na arena hoje a tarde para uma aula de Mascotes que estava para ser realizada. Como era meu segundo dia naquele lugar, ainda não tinha muitas obrigações, então não seria mal conhecer o animal que foi me dado e presenciar a aula para poder adestrá-lo.

Não foi difícil de saber qual daqueles cavalos alados, que estavam no estábulo, me pertencia. Um pégaso de tamanho mediano comparado aos que ali trotavam, coloração creme e com o ‘peito’ estufado estava afastado dos demais apenas observando os outros. Provavelmente ser novato também era algo difícil para a espécie dele. Dei a volta no cercado até me aproximar dele, que de alguma forma parecia saber quem eu era e se aproximou.

— Hey, Laka! — Aquele nome foi logo que automático. De onde surgiu? Não sei. Provavelmente porque a sua coloração me lembrou de uma famosa marca de chocolate branco. Estiquei o braço para acariciá-lo ao mesmo tempo em que dei a fala.

— Isso é nome de mulher! — Ele relinchou e empinou, impedindo que eu o tocasse.

Dei um passo para trás extremamente assustado. Meus olhos arregalados demonstravam esse susto. Ele sabia falar? Ou melhor, como conseguia ouvi-lo em minha mente. Eu não sabia o que dizer, apenas continuei boquiaberto deixando as perguntas fluírem em minha cabeça, o que provavelmente era possível dele ler/ouvir também.

— Você não acha que Eros iria escolher um bichano com o qual eu não pudesse me comunicar não é? — Sua voz ecoava em minha cabeça ao mesmo tempo em que ele voltava a por seus cascos dianteiros em terra firme.

— Uau. Não, acho que não. Na verdade ainda não estou acostumado com isso. Ei, espera ai...! — Minha voz saiu um pouco alto quando entendi o que ele dizia — O mascote aqui é você, não eu!

— Pobre homem, não sabe o que está dizendo. — Ele balançou a cabeça de um lado para o outro como se estivesse negando.

— Okay, okay, okay! De qualquer forma, preciso de você. Vai haver uma aula de adestramento na arena, um outro filho de Eros me recomendou ir. Vamos?

— Eu sei muito bem como adestrar você — Ele bufou — E você acha que eu vou lhe ajudar depois do nome que me deu? — Ao mesmo tempo em que ele se comunicava, rodava sem sair do lugar até se deitar, cruzando as patas dianteiras.

— Olha aqui, se o problema é o nome, é só mudarmos! O que você prefere? Frank? — Antes que eu pudesse terminar as opções de nome, ele levantou-se em um salto ao mesmo tempo em que relinchava novamente.

— Não! O nome que fica é o primeiro escolhido. Sempre. Agora só atenderei quando me chamar de... Laka.

Por um momento parecia que ele tinha feito uma careta, mas acho que na verdade eu estava tão confuso com aquilo tudo que provavelmente já estava imaginando coisa. Aproximei do portão da cerca e empurrei o ferrolho para abrir totalmente.

— Se você não for, vou entrar em contato com o meu pai e pedir para trocar de animal.

Outro relincho ecoou pelo lugar. Aquilo já estava se tornando comum aos meus ouvidos. Ele passou alguns segundos me encarando até trotar de maneira forte até sair de dentro do cercado. Voltei a fechar a porteira antes de correr na direção do cavalo que andava sem me esperar, rumo à arena.




Mascote:
 


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Beau

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:16 pm

Dia 2 Arena 14:30 Class
Holy Shit!






Andar ao lado de um pégaso com raiva não era lá uma coisa muito agradável. Estávamos lado a lado, mas ele fazia questão de deixar a cabeça inclinada para o lado oposto que eu me encontrava, demonstrando o que sentia. Seu trotar era forte, fazendo areia subir por onde passava. Não demoramos muito até chegar a arena, o que agradeci internamente já que estava um pouco incomodado com a situação.

Trajava uma bermuda bege com tênis de mesma cor de uma camisa laranja do acampamento, que havia ganhado no dia anterior, o dia em que havia pisado ali pela primeira vez. Em meu pulso direito estava a pulseira que Eros me presenteou, assim como o colar pendurado em meu pescoço.

Uma garota com uma pantera estava posicionada de frente a um rapaz que provavelmente deveria ser o instrutor. Talvez até ontem eu tivesse me surpreendido pelo fato dela ter uma pantera, mas depois de saber que era dono de um cavalo com asas, mais nada me surpreendia. Eu acho.

Posicionei-me próximo a garota e logo olhei para o Laka, com uma expressão de como quem falasse para ele se aproximar. Ele virou a cabeça e rodeou a semideusa e seu animal, ficando do lado oposto ao que eu estava. Revirei os lhos e cruzei os braços no momento em que o instrutor começava a falar.

— Que ótimo! — Tanto eu, quanto o cavalo, pensamos a mesma coisa quando ouvimos a explicação do que teria que ser feito naquele treino. Estabelecer uma relação de confiança e amizade era algo que provavelmente iria demorar a nós dois.

Assim que ele terminou de falar, caminhei até o meu companheiro (se é que poderia chamá-lo assim) e parei a alguns metros de frente para ele. Novamente, Laka voltou a virara cabeça no momento em que o encarei.

— Você sabe que se recusar, vai demorar mais para sairmos daqui não é? — Falei enquanto descruzava os braços e deixava-os cair ao lado do corpo.

— Okay.

Foi a única coisa que ele falou enquanto bufava, antes de fixar o olhar nos meus. Segurei a risada ao ver que ele concordava facilmente, provavelmente se deixasse a risada sair, ele ficaria com raiva novamente. Apenas assenti com a cabeça quando o mesmo me encarou. Foi quando percebi a cor de seus olhos, eram quase o mesmo verde que os meus.

— Cuidado para não se apaixonar.

A voz dele ecoou em minha cabeça, quebrando meus pensamentos. Franzi a tenta enquanto encarava—o e falava me comunicava mentalmente com o mesmo.

— Fica quieto. Eu acho que isso não é valido.

— Ele disse que não podia falar, não estamos falando, estamos?

— Laka! Fica quieto! Não pode se comunicar, tem que sentir!

Provavelmente a minha exaltação estava até na fala mentalizada. Segurei forte na lateral da bermuda que usava. Tinha vontade de ir embora. Mas respirei fundo e fechei os olhos por uns segundos antes de voltar a abri-los. Acho que o Laka era que nem eu, pelo menos ele parecia muito comigo, seria esse o motivo dele ser o meu animal? Eros querendo me fazer melhorar convivendo com o meu próprio eu?

Pela primeira vez conseguimos fixar nossos olhares sem ele desviar a cabeça ou fazer alguma reclamação. Foi quando me senti mais confortável em me aproximar e esticar a mão para tocar a parte superior ao seu focinho, coisa que havia tentado mais cedo e que ele não tinha deixado.  Achei que ele recuaria ou me impediria novamente, mas fiquei surpreso quando ele inclinou um pouco para frente, permitindo o toque.

Estava esperando que alguma coisa mágica acontecesse quando o tocasse, na verdade, depois que descobri ser semideus e da existência desse mundo, fico achando que todo tipo de magia vai acontecer a qualquer momento. Mas foi um toque comum, apesar de sentir o local quente. O acariciei no local antes de deslizar com a mão até sua crina. Ele parecia gostar. Quer dizer, sabe quando um cachorro se abre todo quando você o alisa? Era quase o mesmo, só que nesse caso se tratava de um cavalo esticando o pescoço.

Provavelmente ele havia lido o meu pensamento com a comparação, pois na mesma hora empinou e relinchou alto. Voltando a pisar com as patas dianteiras em terra firme após alguns segundos. Ele bufou algumas vezes antes de trotar ao meu redor.

— Ta bom. Chega. Não exagera. Chama o homem.

Desta vez, não contive a risada rápida. Talvez ele no fundo fosse legal e talvez possamos nos dar bem. Eu sabia que mais que aquilo não iria conseguir, pelo menos não agora. Acenei para o instrutor no momento em que Laka parou ao meu lado. Provavelmente ele havia entendido que tínhamos terminado, pois nem precisou se aproximar: de onde estava, liberou o autômato.

— Holy shit...

Deixei a expressão sair de meus lábios automaticamente ao ver o ‘robô’. Eu não estava preparado para aquilo. Tudo bem que o semideus explicou no começo o que teríamos que fazer no treino, mas só agora caiu a ficha de que teria que enfrentar aquilo sem nunca ter lutado antes. Eu estava em pânico. Era como se um quilo de cimento tivesse sido descarregado em cada uma das minhas pernas, impossibilitando a minha movimentação.

O transe de pensamentos foi quebrado ao ouvir o relincho do cavalo alado e me fazer observar de fato a cena: Mais a frente, Laka empinava-se ao mesmo tempo em que suas asas abriam totalmente e ele balançava seus cascos dianteiros na tentativa de afastar o autômato.

— Faz alguma coisa! — Sua voz invadiu minha cabeça.

— Mas, o que? Eu não sei lutar!

— Ativa a pulseira. Usa o arco! — Ele falou antes de levantar voo e sobrevoar o robô que continuava a tentar atacá-lo — Rápido!

Agora fazia sentido o motivo de ter ganho aquela pulseira. Digo, eu não tinha entendido no começo pra que eu iria querê-la, apesar de todos ter alertado para estar sempre usando-a. Se era mágica que eu queria, então agora era a hora de fazer acontecer. Tateei o filamento da pulseira tentando fazer algo acontecer, o que só ocorreu quando apertei o pingente em forma de coração. Um sorriso apareceu em meus lábios quando a transformação se completou e logo estava com um arco branco nas mãos.

Apesar de nunca ter usado aquela espécie de arma antes, não tinha muito tempo para me preocupar com aquilo. O problema agora era: E as flechas?

— NÃO PRECISA! — A voz do cavalo estrondou em minha mente antes mesmo que eu pudesse questioná-lo algo  — Só puxa o fio!

— Tá, tá, tá...

Falei baixinho ao mesmo tempo em que levantava o braço com o arco, deixando-o na altura de meu ombro. Puxei o fio com a outra mão e logo uma flecha de materializou no local. Eu estava adorando tudo isso. E mesmo sem nunca ter tocado em um arco antes, parecia muito fácil de manusear. Tentei mirar no ‘inimigo’ ao mesmo tempo em que puxava ainda mais o fio com a flecha, soltando assim que acreditei que o alvo estava focado.

Queria comemorar por ter acertado, mas a verdade é que na o incomodou nem o pouco, na verdade ele apenas olhou em minha direção e voltou a tentar atingir o Laka.

— É só isso que você sabe fazer? — Apesar de estar sobrevoando o autômato, meu cavalo parecia estar impaciente mesmo estando fora do alcance do robô.

— E o que mais você quer que eu faça? Estou tentando! — Falei enquanto empunhava mais uma vez o arco na direção do alvo.

—Que você tente mais! Esqueceu o que o homem disse? Que ele só vai parar quando você se esforçar para me salvar — Ele relinchou novamente — Você não quer me salvar!! É isso!

— Cala a boca, Laka!

Lançava mais uma flecha na direção do robô antes do pégaso voar para um pouco mais distante de onde estava, quase que se aproximando da garota com a pantera. Como era de se imaginar, o autômato foi logo em sua direção.

Por mais que eu não quisesse confirmar, Laka estava certo. Eu precisava me esforçar mais. Respirei fundo, voltei a me posicionar para atirar a flecha, estiquei o fio ao máximo e soltei em seguida. Sem nem abaixar o braço, assim que uma flecha era lançada, já puxava o fio para materializar a outra e lançar logo após. Fazia isso o máximo de vezes que conseguia enquanto gritava na direção do autônomo.

— Por que você não pega alguém do seu tamanho e deixa-o em paz, ein?

O mecanismo de treino me encarou. Provavelmente havia funcionado, ou melhor, ele percebeu que as flechas era a única tentativa que eu tinha e sabia no momento para ajudar o Laka. Logo ele já estava correndo em minha direção. Arregalei os olhos ao vê—lo se aproximar e sem nem pensar duas vezes, tratei de fugir. Os cimentos imaginários que me prendiam no lugar, desapareceram rapidamente.

Paralelo a isso, o equino voltava a pisarem terra firme e a relinchar uma espécie de risada. Provavelmente a cena de ser perseguido por um autômato era engraçada, pelo menos aos olhos dele.

— Dá pra vir me ajudar?! — Gritei enquanto continuava a fuga por toda a arena.

— Ué, tá tão divertido. Só faltava agora um saco de maçãs para comer enquanto assisto.

— LAKA, EU TE DOU QUANTAS MAÇÃS QUISER. SÓ VEM RÁPIDO!

Provavelmente os olhos dele brilharam ao ouvir tal frase. Pelo menos, se fosse comigo era isso que iria acontecer se alguém me prometesse dar comida. Eu já estava encurralado pelo robô, sem ter para onde correr, quando ouvi o trotar o cavalo e rapidamente o avistei a minha frente. Laka posicionou entre o autômato e eu, empinando-se e abrindo suas asas como escudo. Seria uma imagem bonita se não estivéssemos em meio a um ataque.

— Sobe! — Ele falou.

— Como é?

— Para de falar e sobe!

Ele realmente estava louco, mas era a única opção que tínhamos. Assim que ele se endireitou, pulei por cima dele, soltando o arco no chão na mesma hora, me segurei onde conseguia: Uma mão em sua crina e a outra em volta de seu corpo. Provavelmente um dia saberia montar, mas por hora, ficar pendurado a sua lateral e ter onde segurar, era o suficiente. Antes que pudesse perceber, já estávamos fora do chão da arena. Aos poucos ele ia aumentando a altitude cm o bater forte de suas grandes asas.

— WOW!

Exclamei ao olhar para baixo. Todos que estavam ali parecia que haviam tomado uma poção redutora de tamanho e aos poucos estavam diminuindo. Apertei um pouco a crina do equino enquanto tentava me ajeitar naquela posição desconfortável.

— Okay, okay. Vamos descer fora da arena agora!

— Está com medinho? — Seu relincho-risada voltou a aparecer.

— Eu não vou nem te responder! Só me coloca no chão fora da arena!

Não que eu tivesse medo de altura, mas da maneira que eu estava, podia cair a qualquer momento. Em meio a risadas ele voltou a terra firme, aterrissando em frente a entrada da arena em que estávamos.

— Sabe que agora está me devendo maçãs para o resto da vida não é? — Ele falou enquanto descansava suas asas na lateral do corpo — E já pensou em fazer um regime?

— Cala a boca.

Falei enquanto ajeitava minha roupa e voltava a entrar devagar na arena. Como o instrutor não havia especificado que teríamos que derrotar o autômato, então provavelmente aquela ação teria sido válida. Antes que pudesse aparecer totalmente na arena, coloquei apenas a cabeça para fora do portal para observar se a barra estava limpa. Laka tratou de fazer o mesmo, colocando seu focinho em cima de minha cabeça e observando tudo. Encaramos o professor, sem sair do canto, e fizemos a pergunta final juntos, embora o semideus conseguisse apenas me ouvir:

— Funcionou?



Mascote:
 



Equipamentos:
 



Poderes:
 



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Beau

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:17 pm

Dia 4 Chalé de Eros 09:12 Song
I'm playing on my own!


Missão Fixa:
 

As vezes eu tinha a sensação de que era o único por ali, o único filho de Eros do local já que os outros mal paravam no chalé. Acho que era por isso que tinha dificuldade em interagir com eles e de criar algum tipo de relacionamento com os mesmos. É, ser novato não era fácil. E aparentemente eles se aproveitavam disso: Foi só eu acordar e dar de cara com um bilhete que dizia que eu era responsável pela limpeza do chalé naquele dia. Modificando o que falei anteriormente: Ser novato não é fácil e, muito menos, divertido.

Não havia com quem ou o que discutir. Tinha que aceitar. Então o quanto antes começasse, mais rápido terminaria. Tratei de ir logo tomar o café no refeitório do acampamento antes de retornar para o chalé e dar inicio ao trabalho. Usava apenas um short na altura dos joelhos, estava quente, portanto não usaria camisa em uma ação que me faria soar ainda mais.

Decidi começar pela sala principal, a que continha as estátuas. Já estava com a vasoura em mãos e preste a começar a varrer quando me lembrei de algo. Larguei-a no chão e corri em direção ao meu quarto, voltando após alguns segundos com um mini system em mãos. O posicionei no batente das estátuas e dei play no CD que já estava inserido: Um disco que havia gravado, com as musicas que mais gostava.

Ao mesmo tempo em que a música “Alive” da cantora “Sia” ia toando conta do local, meu corpo se deslocava juntamente com a vassoura, quase que dançando durante o varrer. Já estava na metade da música quando terminei a limpeza do chão. Saí de onde estava e voltei após alguns segundos com um balde com água na mão direita e um pano na esquerda. Posicionei-me em frente as estátuas e curvei-me.

— Com a sua licença, pai.

Provavelmente, aquela era a primeira vez em que me dirigia a Eros com aquela palavra. Não que eu me importasse muito com ele, mas por precaução era melhor solicitar permissão antes de limpar a imagem. Umidifiquei o pano na água que estava no balde e aos poucos limpava o monumento detalhadamente. Quando não alcançava mais a área da estátua a ser limpada, enrolava o pano na vassoura e utilizava-a como vara para limpar os locais mais altos. Repetia o mesmo movimento nas outras duas imagens até que as três estivessem totalmente limpas.

O CD já estava em sua terceira música quando terminei aquele ambiente e entrei na porta a direita para chegar ao salão de jogos, provavelmente o que estava mais desorganizado. Como imaginei, capas e DVDs largados no sofá, controles de veio-game espalhados e jogos interminados pausados. Tratei de recolher e guardar os objetos nas estantes fixas nas paredes, antes de repetir o mesmo procedimento feito na sala anterior: Varrer e limpar, com um pano úmido, os móveis e equipamentos que ali existiam.

Não sei quanto tempo demorei fazendo aquilo. Já havia perdido a noção do tempo desde que cheguei naquela área, também já nem sabia mais em que faixa do cd estava só sabia que agora tocava “Animals” do “Maroon 5”. Respirei aliviado quando terminei e olhei para todo o cômodo arrumado. Agora só faltava um lugar: O SPA.

Peguei o mini system e fazia uma caminhada meio dançante até o lugar que restava. Não tinha como limpar os quartos, pois além de serem magicamente encantados para modificarem de acordo com a vontade de seus respectivos donos, as portas só apareciam quando estes assim desejavam. Então, não tinha como entrar em tais ambientes. Alguns minutos se passaram até que chegasse ao lugar desejado.

Comecei pela área masculina, aparentemente não estava sujo. Provavelmente deveria ser encantado como o outro ambiente, ou ninguém costumava frequentar o local. Como não tinha muito que fazer, já que era visível a arrumação intacta do local: toalhas e produtos devidamente organizados em armários, fui até a área das banheiras e esperei esvaziar toda a água que continha nelas para poder passar uma escova antes de voltar a enche-las. Assim que finalizei, passei para o lado feminino que estava do mesmo jeito, já organizado. Repeti a mesma limpeza das banheiras que tinha feito no lado dos homens.

Eu só percebi que o ambiente estava silencioso, quando terminei de encher a ultima banheira das meninas. Olhei para o aparelho de som e notei o “STOP” escrito em seu visor digital. Havia escutado todas as musicas sem nem perceber. Finalmente havia acabado toda a arrumação interna do chalé. Voltei para a sala principal com os materiais que utilizei e sorri ao ver tudo limpo. Eu não tinha mania de limpeza, mas de fato era uma sensação boa em ter tudo organizado e brilhando.

Devolvi os materiais para a dispensa e logo retornei para o meu  quarto. Iria tomar um bom banho relaxante e tirar o resto do dia para descansar. A porta branca, que dava acesso ao meu cômodo, desapareceu assim que a fechei. Não iria permitir que ninguém atrapalhasse meu momento a sós.

I Lollita
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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:19 pm



Missão Fixa:
 

Esse seria o primeiro natal que passaria fora do orfanato, tinha decidido que ficaria no acampamento e não retornaria ao local de onde vim para passar a data comemorativa com a Dona Carmen. Provavelmente ela ficou triste quando recebeu minha carta informando, mas agora eu tinha um lugar que, aparentemente, podia chamar de ‘lar’.

O sol já estava quase se ponto quando saí do chalé, carregando uma cesta de maçãs, rumo aos estábulos. Provavelmente o clima natalino me deixava sentimental, pois havia tirado a manhã para colher a fruta favorita do Laka. Embora aquele pégaso não merecesse uma única maçã se quer, queria dar aquele presente a ele.

— Isso é hora de dormir? — Falei ao me aproximar do cercado onde o Laka estava.

— Eu conseguiria dormir se você calasse a boca — E aquele foi o ‘oi’ que recebi do cavalo que estava deitado em meio ao feno.

— Que pena então. Vou embora com essa cesta de maçãs fresquinhas que colhi hoje pela manhã.

— Maçãs?! Onde? — Ele pulou de onde estava, ficando em pé em um piscar de olhos, com a cabeça esticada em minha direção.

— Não, você não merece. Eu todo feliz trazendo um presente de natal e você, como sempre, grosso — Falei enquanto dava meia volta e caminhava em direção a saída.

— Ah não, espera! Desculpa! Eu sou um bom garoto, eu mereço maças. Eu te salvei... — Ele parou por um tempo — Espera ai... você ta me devendo. Isso não é presente de natal, é pagamento de dívida!

— É o que?! — Falei me virando para encará-lo — Você não tem um pingo de espírito natalino?! Eu vim aqui todo feliz te dar um presente.

— Já disse que não é presente — Ele relinchou — É sua obrigação!

Antes que eu pudesse responder, um choro alto invadiu o espaço em que estávamos, ao mesmo tempo em que um clarão vermelho. Quando eu digo um choro, não era de bebê, mas sim de um animal. Algo quase que um uivo.

— O que foi isso? — Perguntei enquanto colocava a cesta no chão.

— Veio da floresta — Laka respondeu antes de trotar em direção as árvores.

— Espera! — Corri atrás dele. Desaparecendo em meio ao verde da vegetação


(...)


Era como se estivesse sonhando. A imagem da rena de nariz vermelho era algo difícil de acreditar. Então todos esses seres de datas comemorativos existiam de verdade? Tudo bem que os deuses sejam reais, mas Papai Noel já é demais. Olhei para o Laka boquiaberto, entretanto, o mesmo apenas deu seu costumeiro riso-relincho e caminhou em direção ao animal.

— Espera! — Tentei alertar, mas já era tarde: a rena havia notado nossa presença ao ouvir o equino se aproximar — Ei, volta aqui! — Gritei quando ela saiu correndo, floresta a dentro.

— Culpa sua! — A voz do pégaso estrondou em minha cabeça durante a corrida atrás do chifrudo.

— Minha? Fui eu que saí andando na frente com um focinho enorme? — Provavelmente estava gritando com o Laka, já não percebia mais o quão alto estava falando já que estava focado mais em alcançar a luz vermelha que piscava entre a floresta.

— Nós somos parentes, então ele ia me ouvir!

— Parentes? Ele é uma Rena, não uma espécie de cavalo!!

— ELE TEM QUATRO PATAS!!

Eu queria ignorar o Laka. Nesses momentos uma habilidade de bloqueio telepático ou apenas perder a capacidade de entendê-lo, seria perfeito. Por sorte, conseguimos encontrar o nariz vermelho parado, provavelmente cansado de tanto correr. Coloquei o braço estendido em frente ao equino, impedindo-o de andar. O que o fez bufar e torcer o focinho.

Caminhei devagar para tentar me aproximar da rena. Meu coração batia disparado não só por causa da corrida, mas também porque escutava e lia as histórias daquele nariz todo natal, sempre fora meu personagem de contos favorito.

— Er... Olá? Rudolf? — Tentei falar o mais calmo possível.

Ele virou o rosto para mim e deu uns passos para trás, mas parou quando percebeu que eu sabia quem ele era. Seu nariz piscou como se respondesse a minha pergunta.

— Por favor, não tenha medo... — aproximava aos poucos ao mesmo tempo em que falava — Só queremos ajudar. O que esta fazendo aqui?

Até parece que ele iria começar a falar e eu, entender tudo.A rena apenas emitiu um som e o seu nariz piscou. Revirei os olhos e quase dei um tapa em minha própria testa. Já estava fazendo o movimento quando Laka se aproximou falando – por um momento, eu havia esquecido que ele estava ali.

— Ele está perdido — Ele falou antes de parar ao meu lado — A magia que protege o acampamento o atordoou e ele não consegue encontrar o caminho para casa.

— Eu achei que o escudo só repelia monstros... Epa, e como você entende o que ele fala?

— Eu disse, somos parentes — Provavelmente, meus olhos voltaram a revirar quando ouvi aquilo — E sim, a magia do acampamento repele monstros, mas ela também pode confundir alguns seres mágicos. Foi o que aconteceu com o coitado aqui.

Eu não sabia se ficava preocupado com a rena ou se ficava besta pelo pégaso estar dando uma de inteligente e saber tudo aquilo. Ele se aproximou do nariz vermelho e ficou um tempo relinchando enquanto o outro quadrúpede emitia outra espécie de som. Acho que estavam conversando. Perguntei varias vezes, mentalmente, ao Laka o que falavam, mas ele apenas me ignorou, abrindo suas grandes asas, na terceira vez que perguntei, para me ignorar até da sua visão.

— Nós vamos ajudá-lo — Ele falou quando terminou a conversa e virou em minha direção enquanto guardava suas asas.

— Aaah, lembrou que eu existo? — Cruzei os braços durante a fala — E como faremos isso, senhor sabichão?

— Ué, vamos levá-lo ao Polo Norte! — Um largo sorriso apareceu em seu focinho, revelando aqueles grandes dentes brancos de cavalo.

— O que? Você enlouqueceu?! — Gritei aquilo na hora que sua fala terminou — Além de não ser permitido que saiamos daqui, o Polo Norte é longe, como acha que conseguiríamos ir?

— Voando! — Antes que eu pudesse falar algo,suas asas bateram forte e ele levantou voo, ficando apenas a alguns centímetros do chão — E então, vamos? Se você não for, eu vou só e conto a todo mundo que você é medroso.

— Você sabe que só eu te entendo, não é? Então ninguém vai entender nada do que você disser — Ele bufou — E outra, como que ele... — Apontei para a rena — ... vai?

Mais uma vez a ação veio primeiro que as palavras. Quando percebi, Rudolf já estava planando ao lado do cavalo com asas. Desta vez finalizei o movimento de bater em minha própria testa. Eu havia esquecido que ele podia voar, afinal, era a nona rena que puxava o trenó do Papai Noel.

— Se eu for castigado, você vai junto. Entendeu?

Falei enquanto me aproximava do animal para subir em suas costas e montar no mesmo. Um frio em minha barriga surgiu quando ele começou a pegar altura. Olhei para baixo e vi as árvores da floresta irem diminuindo aos poucos. Segurei firme em sua crina, tomando o cuidado para não puxá-la.

— E como você sabe para onde devemos ir? — Falei o mais alto que pude por estar em movimento no ar. O que não era preciso, já que nos comunicávamos telepaticamente. Mas, eu as vezes esquecia daquilo.

— Ué, seguindo para o norte — A vontade que tive foi de bater em alguma parte de seu corpo, mas correria o risco dele me derrubar. Então ignorei sua fala e continuei quieto — Não tenho culpa se meu animal de estimação não tem senso de direção. Mas, não se preocupe. A verdade é que não vamos para o Polo Norte, falei só para te assustar. Precisamos apenas nos afastar da barreira mágica para ele não ser influenciado por ela.

Olhei para o lado e de fato a rena parecia estar mais orientada. Se antes ela apenas seguia o Laka pelo céu, agora ela voava a sua frente. Rumando em direção a uma estrela brilhante, que eu acreditava ser a Estrela Polar. O animal de nariz vermelho parou em pleno ar a nossa frente, piscou com seu farol vermelho bem forte antes de se curvar - como se estivesse cumprimentando alguém da realeza – e partiu voo em meio a um rastro brilhoso que ele deixava.

— Obrigado.

A voz aveludada da rena ecoou pelo local. Permitindo que todos que estivesse a um raio de cinco metros, o escutasse.

— Que gay... — Falei ao ver o rastro luminoso que ele deixava — ESPERA AI! ELE FALA? ELE FALOU! ESSE TEMPO TODO PORQUE ELE NÃO FALOU COMIGO ANTES?!

— Porque ele não quis e me achou mais bonito oras — Laka respondeu enquanto dava meia volta e voávamos de volta ao acampamento.

— COMO ASSIM? Como pode isso?!

Minha voz ia sumindo a medida que nos afastávamos. E, se alguém olhasse de onde havíamos nos separado da rena, iria aos poucos nos perder de vista, sumindo por entre as nuvens em minutos.

(...)

Mascote:
 

words #MissãoFixa #Floresta #MerryChristmas tag Rudolph notes ---
Run Run Rudolph
You gotta run run Rudolph, racin' like a merry-go-round
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Beau

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:20 pm



Missão Fixa:
 

Sabe quando você vê um filme de comédia e quando o protagonista derruba algo começa tudo a passar em câmera lenta? Pronto, era como eu tava me sentindo naquele momento: A árvore demorou uma eternidade até tocar o chão, enquanto isso, meu grito desesperador se tornou uma orquestra sinfônica junto com o barulho dos objetos decorativos quebrando no chão.

Eu podia continuar contando como aconteceu essa catástrofe, mas, acho que antes, deveria explicar como isso aconteceu. As vezes acho que quanto mais silencioso e discreto a gente tenta ser, é quando fazemos mais barulho e chamamos mais atenção.

(...)

Pegar comida escondido no refeitório era algo que eu não sabia se podia ou não, então tinha que ser rápido e ter certeza de que ninguém flagrou. Assim que peguei duas fatias de bolo, um sanduiche e um copo de suco, saí correndo do local e parei no local mais próximo que encontrei: O Anfiteatro.

Sentei-me em baixo da grande árvore de natal que haviam montado no local. Se tivesse sorte, não seria descoberto ali. Comecei a comer devagar, devorando uma das fatias do bolo e tomando um pouco do suco. Já estava prestes a morder o sanduiche quando ouvi uma voz masculina.

Congelei. Não conseguia mover um músculo se quer. Provavelmente ele tinha me visto sair do refeitório e me seguiu para reclamar. Os passos dele começaram a ficar mais alto, o que significava que estava se aproximando da árvore. Não me contive e pulei na hora em que ouvi o seu quinto passo, largando toda a comida no chão. Fiquei em pé para correr, mas antes que pudesse fugir, a árvore desabou, me revelando na cena do crime.


(...)

E cá estávamos de volta à cena de filme. Tudo silenciou até que apenas o barulho da estrela – que ficava no topo da árvore – quebrando-se cortou o local. Meus batimentos diminuíram e eu não conseguia me mover até que um garoto gritou em minha direção:

—- Você será punido!

Meu desespero só aumentou, se ele dedurasse o acontecido eu realmente estaria fodido. Só me restava fazer a única arma que tinha na manga: o charme. Corri em sua direção e repousei a mão sobre o seu obro antes que ele pudesse fugir.

— Espera, não vai ainda.

Minha voz aparentemente havia ficado maus grave e rouca, provavelmente por acreditar que aquele estilo de voz eram os que mais seduziam. O virei em minha direção e sorri ao fixar o olhar no dele. Minha mão, que estava no ombro do campista, deslizou por cada centímetro do braço dele.

—-  Nossa...

Ao julgar pelo seu comentário e pelo seu olhar arregalado, acredito que tinha funcionado. Era a primeira vez que fazia aquilo intencionalmente, até que não foi tão difícil. Outro sorriso surgiu em meus lábios apenas para continuar a deixá-lo no transe, para ser sincero, eu não sabia o que fazer. Na verdade, eu sabia: tinha que arrumar aquilo.

— De quem é filho, grandão? — Perguntei para saber como ele me seria útil.

—-  Ares.

“Perfeito!”. Foi a primeira coisa que pensei. O universo estava me ajudando a concertar as coisas. Ao julgar pelo seu tamanho, alguns centímetros mais alto que eu e alguns músculos a mais, era provável que conseguiria levantar aquela grande árvore. Até porque, se não me engano, filhos do deus da guerra possuem uma força absurda, então seria fichinha para ele.

— Está livre agora? Porque você não me dá uma ajudinha aqui e depois eu passo no seu chalé para conversarmos?

Eu podia jurar que tinha visto um pouco de baba escorrendo pela sua boca aberta. Nojento. Mas eu precisava continuar com aquele jogo para conseguir me salvar.

— Com esses músculos, acho que você seria capaz de levantar aquela árvore ali e limpar toda a bagunça, não é?

Ele apenas sorriu e assentiu. Acho que demonstração de força era algo que ele gostava de fazer. Não perdeu tempo e tratou de ir até a árvore, levantando-a pelo tronco com a maior facilidade. Por sorte estava intacta. Sem nenhum galho quebrado. O problema seria conseguir a decoração. Mas nada impossível. Dei um sorriso ao ver o filho de Ares limpando tudo após colocar a árvore em pé novamente. Até que era divertido aquilo.

— Decoração...

Eu teria que improvisar. E quem sabe, pedir mais ajuda. Dei uma risada baixa ao ter aquela ideia e tratei de correr o acampamento a procura de outra vitima. Quer dizer, ajudante. Não tinha muito tempo, então teria que ser rápido. Ao chegar à parte dos chalés, avistei uma garota no parapeito de seu chalé com algumas flores em suas mãos.

— Olá! Tudo bem? — Falei ao me aproximar de onde ela se encontrava.

— Tudo sim. E você?

— Ah, mais ou menos. Tô meio triste, sabe? Estou a procura de algum filho de Perséfone, sabe onde encontrar?

O rosto da garota iluminou-se. Provavelmente o meu encantamento estava dando certo, se fazer de pobre coitadinho era infalível.

— Acabas de encontrar uma. Em que posso ser útil?

Eu sorri, desta vez encarando-a, o que provavelmente fez aumentar a sedução já que a mesma encontrava-se da mesma forma que o brutamontes anterior. Um leve arrepio percorreu meu corpo. Quem diria, eu, seduzindo uma garota. Chegava a dar uma certa ânsia. Mas, continuei com o teatro. Retirei a camisa que vestia e jogando-a sobre meu ombro direito.

— Desculpa, ta muito calor. Onde estávamos? — Os destes brancos voltavam a aparecer em um largo sorriso — Ah sim, você é filha de Perséfone. Maravilha! — Exclamei — É que sabe... eu amo flores, todo tipo de flor, mas principalmente as que são em tons de vermelho. Eu tenho uma árvore lá no anfiteatro, mas não tenho nenhuma flor para ela...

Nem precisei terminar de falar: A garota tratou de pular de onde estava e correu em direção ao Anfiteatro, o local onde eu tinha apontado. Outra risada apareceu antes de caminhar de volta para a árvore, desta vez devagar e com calma. Se tudo desse certo, meu plano iria funcionar perfeitamente.

E deu. Quer dizer, em partes. Assim que voltei ao local do desastre, já estava tudo arrumado, sem um caco no chão e a árvore decorada com as mais belas flores que a garota conseguia produzir. O filho de Ares deu um sorrisinho sacana ao passar do meu lado e caminhar todo empolgado para o seu chalé. Eu teria que encontrar uma forma de sair dessa. Agradeci a menina e pedi para que me deixasse a sós para admirar a obra de arte dela.

Ainda faltava o branco naquela árvore. As cores do natal. Passaram-se alguns minutos sem eu conseguir ter mais ideias. Já estava desistindo quando avistei uma pomba branca voando por ali. Dei um pulo de felicidade. Ali estava o branco que eu precisava, nas penas. Iria usar o poder que descobri recentemente. Como já estava sem a camisa só precisaria me concentrar para que as asas aparecessem em minhas costas.  

Sabia que podia usar as penas como ataque, mas se usasse da maneira correta, conseguiria realizar o que tinha em mente. Inclinei meu corpo para cima, de modo que a parte interna das asas ficasse apontada para o topo da árvore. Penas começaram a sair dela em direção ao céu, numa velocidade o suficiente para parar poucos centímetros acima da árvore e caírem delicadamente em uma chuva de penas em cima de seus galhos.

Retraí as assas assim que achei suficiente as penas presas na árvore. De fato, estava bonita, mas faltava alguma coisa.

— O ornamento!

Precisava de algo para colocar no topo da árvore. Tinha que ser algo bonito e brilhando. Podia ser uma estrela de cristal ou de... Gelo! Sabia exatamente quem podia me ajudar com aquilo.  O sol já estava se pondo quando voltei a correr na direção dos chalés. Antes de chegar à moradia dos filhos de Poseidon, parei na de Eros, pois sabia que tinha visto um pisca-pisca em algum lugar da dispensa.

Assim que encontrei o que queria, voltei rumo ao chalé numero 3. Parando na entrada e batendo sem parar enquanto chamava pelo filho do deus dos mares.

— CEDRIC! CEDRIC! CEDRIC!

Não tinha muito tempo até que escurecesse totalmente, então não tinha tempo para explicar. Assim que o garoto aparecia na porta, segurava-o com a mão livre e puxava para fora do chalé, correndo de volta para o anfiteatro.

— Não dá pra explicar agora, só vem comigo.

Não demorou muito até voltarmos ao local. Soltei o Cedric próximo a árvore, foi quando percebi que o mesmo encontrava-se apenas de bermuda. Dei uma risadinha rápida enquanto começava a enrolar as luzes ao redor da planta.

— Preciso que você congele um pouco de água no topo dessa árvore e deixe em formato de estrela. Tem como fazer isso?

Ele assentiu. Eu não precisaria usar a sedução com ele. Não que ele fosse afim de mim, não me entendam mal. Era só que é mais fácil pedir ajuda a pessoas que você conhece, do que a estranho, onde tem que apelar para o charme.

Assim que finalizei de colocar a iluminação natalina, fui para o lado do garoto e observei o ornamento que ele tinha feito com a água congelada. Dei uns pulos de felicidade e abracei o garoto, dando um beijo em sua bochecha direita.

— Obrigado!

Pronto. Havia terminado de ajeitar o que tinha destruído. E modéstia parte, tinha ficado melhor que antes. Apesar de mal ter pegado no pesado, estava cansado. Já estava dando meia volta com o moreno para voltar pro chalé, quando avistei o filho de Ares aparentemente zangado andando na direção do Anfiteatro.

— Ta com fome?

Perguntei ao Ced e antes que ele respondesse, o puxei pelo braço em direção ao refeitório, lado oposto ao que o brutamontes passaria.

Poderes Utilizados:
 


words #Anfiteatro #MissãoFixa #MerryChristimas tag --- notes ---
Underneath the tree
Snow is falling as the caroles sing. Presents, what a beautiful sight!
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Beau

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:24 pm





 
 
 












WHITE IN EVERYWHERE


Se eu soubesse que o dia seria tão chato, nem teria saído da cama hoje. Praticamente todo o acampamento estava em baixo de neve. O refeitório estava até vazio, já que poucos foram os campistas que conseguiram sair de seu chalé sem problemas. Por sorte, o de Eros só tinha neve no telhado, o que não atrapalhava em nada o entrar e sair do local.

Já estava voltando pra onde não devia ter saído – a minha cama – quando a imagem de um homem baixo e rechonchudo apareceu em minha frente. Eu gelei. Aquela era a primeira vez que eu encontrava o Sr. D desde minha chegada ao acampamento.

— Bial Edmundo — Ele abriu um sorriso que ia de um canto ao outro de seu rosto redondo — Que prazer encontrá-lo! Como anda sua estadia no acampamento?

— É Beau. Edmond, senhor — Eu sabia da sua fama de trocar os nomes — Ah, está tudo bem, eu acho.

— Que bom. Então... — Ele falou enquanto colocava o braço ao redor do meu ombro e andava rumo ao chalés — Estou precisando de alguém forte e disponível para uma missão especial.

— Sério? — Meu coração acelerou. Seria aquela a minha primeira missão no acampamento?

— Claro. E como pode ver, não temos muitos campistas disponíveis, já que estão a maioria presos em seu chalé. Então, por que não o nosso mais recente filho de Eros que tem se mostrado ser tão talentoso? — Ele sorriu — O que você acha?

Meus olhos brilharam assim que ouvia cada palavra do que dizia. Eu estava espantado, aquele homem era totalmente diferente do que tinham me falado. Tinha até vontade de abraçá-lo e agradecer a oportunidade, mas, precisava me controlar.

— Claro! Estou aqui para servir ao acampamento! — Só faltava eu bater continência de tão nervoso que estava.

— Maravilha! Tome aqui, vai precisar deste equipamento — E sem explicação, uma pá apareceu em sua mão estendida em minha direção — Começa pelos chalés e depois pode seguir para a arena.

Ele nem esperou que eu falasse para ir embora. Também, nem conseguiria falar nada. Eu estava parado, com a pá nas mãos e boquiaberto, sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. Agora eu estava vendo o filho da Diva que todos falavam. A raiva fervia todo o meu corpo, se tivesse neve ao redor, com certeza estaria derretida de tão quente que eu estava.

Resmunguei e falei uns palavrões algumas vezes até chegar ao centro da área dos chalés. Os filhos de Eros, Hebe e Ares pareciam ser os únicos que podiam entrar e sair com tranquilidade. Os outros, todos cobertos de branco. Ainda no estado de raiva, caminhei até o chalé de Hermes para começar a limpar por lá. Na minha cabeça, por se tratar do chalé mais cheio, assim que limpasse, eles sairiam para me ajudar.

Que nada, depois de quase duas horas de esforço braçal, consegui limpar 70% da neve que os prendia lá dentro. Nenhum campista se quer saiu para agradecer. Olhei pela janela de vidro e avistei um amontoado de semideuses em frente a uma televisão grande com um vídeo-game acoplado. Ao lado, um estoque de comida. Realmente eles não estavam nem um pouco preocupados com a neve. Revirei os olhos. A raiva só aumentava, mas, ainda restavam outros chalés a serem limpos.

Respirei fundo antes de continuar limpando as próximas áreas. Por sorte, após retirar a neve de uns dois chalés, alguns filhos de Apolo apareceram para ajudar. O que realmente me deixou bastante aliviado.

Assim que havíamos desobstruído todas as entradas para que os campistas conseguissem entrar e sair de suas hospedagens, partimos para o anfiteatro e para arena. Desta vez, com bem mais semideuses, uma espécie de mutirão.

A tarefa durou o dia todo, terminando ao pôr do sol. Eu estava tão cansado que nem me importava de não ter almoçado, só queria um bom banho quente e uma cama para descansar. Tratei de jogar a pá na entrada da Casa Grande antes de retornar para os meus aposentos.

Missão Fixa:
 

I hate that god!

Post #06 // Anfiteatro // Tag #MissaoFixa // Tag #Natal // BY LOONY!
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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:31 pm



Bebês a bordo, Hera a parteira do Olimpo
I'm helping Hera !
Eu estava e um lugar totalmente desconhecido: Um jardim com as mais belas plantas. O céu parecia ser um quadro pintado com as mais belas cores, o entardecer de fato era um espetáculo. Eu teria ficado horas observando aquele céu multicor se não tivesse percebido as três formas femininas em baixo de uma grande árvore com um dragão a sua volta. Andei mais ao relaxado, pois agora sabia onde estava. O fruto dourado da grande árvore entregou o local junto com acenadas três ninfas: O Jardim das Hespérides, lar das divindades ao qual seguia. Agachei-me ao mesmo tempo em que me curvava ao parar em frente a elas.

— Levante-se, semideus. Hoje não é a nós que você servirá.

A ninfa da ponta direita falou enquanto me observava. Levantei um pouco confuso: afinal,se elas não precisavam de mim, o que eu estava fazendo ali?

— Obrigada por chamá-lo.

A voz feminina e poderosa surgiu atrás de mim de repente. Dei um pequeno pulo de susto ao ouvi-la, virando para ver quem era logo em seguida. Minha boca abriu-se na hora. Meu corpo não se mexia de maneira nenhuma. As ninfas do entardecer fizeram reverência para a mulher que acabara de chegar. Era quase impossível não reconhecer a rainha do Olimpo, além de sua beleza e vestes perfeitas, sua presença tinha algo materno, mas ao mesmo tempo poderosa. Agora fazia um pouco mais de sentido, já que as Hepérides serviam a deusa e na verdade, aquele jardim lhe pertencia.

— Olá, Beau — Eu fiquei um pouco besta em ela saber quem eu era — Preciso de sua ajuda o mais rápido possível.

— C-claro — Respondi aquilo sem pensar duas vezes, embora minha voz falhasse um pouco.

— Ótimo! — Ela não se espantou, provavelmente sabia que eu não negaria um pedido seu — Encontre-me na... — Antes que ela pudesse falar, um choro de bebê ecoou o local. Tive a leve impressão de vê-la revirando os olhos, mas acho que foi só impressão mesmo — ... Na Stork Street, numero 001, New York. Preciso ir, não demore.

E em um flash de luz, tudo sumiu.


(zZzZz)


Os raios de sol invadiam, sem permissão, o meu quarto, entrando pela janela de vidro até tocar minha face. Levei a coberta até o rosto para tampar a luz que me acordava e resmunguei algumas coisas que nem eu mesmo entendi. Passei alguns minutos ainda deitado ,me espreguiçando, quando me lembrei do sonho que tivera e pulei da cama na mesma hora.

— Hera!

Não tinha tempo para nada. Tratei de vestir a primeira roupa que encontrei: uma calça jeans preta, camisa básica rosa e tênis bege. Como não sabia o que enfrentaria, peguei o máximo de equipamentos que conseguiria carregar, afinal, vindo de Hera, provavelmente seria uma missão de vida ou morte. Coloquei o colar com pingente de uma asa acorrentada, a pulseira com pingente de coração, o anel de ouro com meu nome gravado, e os dois braceletes escuros com o desenho de maçã dourada. Já estava quase saindo da residência quando avistei a capa amarronzada com detalhes em ouro perto a porta. Peguei-a para seguir rumo à casa grande.

— Me espera!

Aquela voz estridente em minha cabeça me fez parar poucos passos antes de chegar ao local desejado. Eu já sabia de onde vinha e fui logo virando para encará-lo.

— Não, pode ficar aí. Você não sabe para onde eu vou.

— Sei sim! — Laka relinchou ao se aproximar — Esqueceu que consigo ler o que você pensa?

— Você não vai estragar minha missão. É pra Hera, você sabe o quão importante pode ser isso?

— Por que você acha que quero ir? Ela pode me tornar o Pégaso mais importante do Olimpo.

O equino pareceu estufar seu peito enquanto falava aquilo. Revirei os olhos e dei de ombro, talvez em pudesse me servir de algo, afinal precisaria chegar à Nova York de alguma maneira. Continuei a caminhada até a Casa Grande sem me importar com o cavalo alado me seguindo. Bati na porta umas três vezes até que o deus gordo abriu um pouco a porta e olhou pela brecha.

— Ah, Biau! É você!

Ele exclamou de uma forma que parecia aliviado. Eu não iria perder meu tempo corrigindo meu nome, o deixei chamar como quisesse, não tínhamos uma boa relação. Pelo menos, não da minha parte. Barulho de trancas se abrindo foi possível de se ouvir antes dele abrir totalmente a porta totalmente.

— Diga logo que não tenho muito tempo — Dionísio falou enquanto andava até uma mala cheia de roupas que estava aberta em cima de uma mesa.

— Pretende viajar, Sr?

— QUAL O PROBLEMA? UM DEUS NÃO PODE TIRAR FÉRIAS? — Ele berrou aquilo enquanto se virava para me encarar — Vou para Bahamas, descansar um pouco, ando muito estressado — Sua voz voltou ao normal naquela frase.

— Desculpe-me — Falei após receber o grito — Bem, não vou tomar seu tempo. Só vim avisar que Hera apare...

Não pude terminar de falar. O deus pulou em susto ao ouvir o nome da rainha do Olimpo e pulou em minha direção, agarrando-me pelos ombros.

— Hera? O que tem ela? O que ela disse?! — Ele me sacolejou — Fala!!

Aquilo ela estranho. Eu sei que principalmente entre os deuses ela é de dar medo, mas não é pra tanto.

— Calma! — Tentava me soltar dele — Como dizia... Ela pareceu para mim em um sonho e me pediu ajuda em uma missão. Não disse mais nada, apenas que precisava de minha ajuda e me deu o endereço.

Ele fechou a mala durante a minha fala e assim que terminei de falar, foi me empurrando para fora.

— Ótimo, vá lá. Faça o seu papel de herói. Salve o dia e ajude minha madrasta. Ela ficará feliz. Tenha um bom dia, senhor Edmundo.

E bateu a porta com força logo em seguida.

— É Edmond...

Falei baixo antes de descer as pequenas escadas da entrada, parando ao lado do Laka que repousava em baixo de uma árvore a minha espera.

— E então? Podemos ir?

— Sim.

Montei em cima do pégaso, segurando firma na lateral de seu corpo com as pernas e em sua crina com as mãos. Logo estávamos sobrevoando o acampamento. Olhei a movimentação lá em baixo, antes de bater de leve no Laka, indicando que podíamos prosseguir para Nova York.

(...)


A viagem até a cidade foi tranquila. Diferentemente dos filhos de Poseidon ou Hades, eu não tinha problema em estar no território de Zeus: o céu. Aterrissamos em um beco perto da rua desejada. Desmontei e saí de dentro do beco com o Laka em minhas costas. 

— Por que você não fica e descansa?

— E perder a oportunidade de me mostrar pra Hera e dizer o quanto fui bem em te trazer até aqui? — Mesmo sua fala sendo telepática, era possível perceber o seu cansaço em minha mente — Jamais!

Revirei os olhos e continuei andando a procura do número da casa. Por sorte, mortais não viam as coisas perfeitamente, pois com certeza seria suspeito um homem de capa, que cobria todo o seu corpo, andando ao lado de um cavalo metido com asas. Paramos em frente a uma residência de cor rosa bem claro e com colunas gregas brancas. No topo de sua entrada, uma placa em ouro que se lia: Maternidade Cegonhas Felizes, para os mortais, e Berçário da Hera, para os semideuses e outros seres que pudessem enxergar através da névoa.

Já estava tocando a campainha quando a porta se abriu antes mesmo de encostar o dedo no botão. Olhei para Laka, falando mentalmente o que ele já sabia: “Fica aí”. Ele relinchou algumas vezes antes de se deitar na escadaria da entrada a minha espera.

O interior da maternidade era bonito, bem decorado e organizado. Vários detalhes em ouro, que acredito ser da melhor qualidade possível. O que me chamou atenção ali não foi a decoração, mas sim, a quantidade de mulheres grávidas que estavam na recepção. Acho que umas quinze. Umas calmas e outras com dores, provavelmente estavam em trabalho de parto. Aquele não era um dia muito bom para estar ali.

— Bom dia. Estou procurando a senhora Hera, ela me pediu que viesse.

Falei ao me aproximar do balcão onde encontrava uma recepcionista. A mulher sorriu e seus olhos brilharam em um laranja na mesma hora, indicando o que eu já imaginava: Ela não era mortal.

— Claro, Beau. Ela está a sua espera — A loira de voz aveludada inclinou o braço na direção do corredor a o seu lado — Terceira porta a direita.

Eu já não estava mais surpreso pelo fato dela saber meu nome, acho que já estava me acostumando com essas coisas. Agradeci e segui em direção ao corredor indicado, entrando e caminhando devagar enquanto observava as janelas de vidro das outras salas: Mais mulheres grávidas. Realmente aquilo ali estava cheio hoje.

Bati na porta três vezes para indicar a minha chegada, abrindo-a logo em seguida. Eu havia escolhido o momento certo para entrar: Foi eu colocando a cabeça para dentro e dando de cara com uma mulher deitada, de pernas abertas, com suas partes íntimas toda suja de sangue. Uma cabeça pequena saia do local em meio aos seus gritos de dor. Eu vi minha visão ofuscando na hora em que ela deu a luz a um menino. 

Quando recuperei a visão, já estava em uma sala iluminada, deitado em uma cadeira confortável. Parada ao lado, uma mulher de cabelos castanhos que mesmo estando em uma roupa de médica, reconheci de cara a deusa da família.

— Eu com tantos problemas aqui hoje, ainda tenho que cuidar de um semideus que desmaia ao ver um parto? — Se eu tivesse tido a presença de uma mãe, com certeza aquele seria o jeito que ela me repreenderia.

— Desculpe-me, senhora — Falei enquanto me levantava da cadeira e me ajeitava — Pronto. Agora estou bem. Qual o problema?

— Claro que está, eu cuidei — Realmente, os boatos sobre sua autoestima pareciam se confirmar — Como você pôde ver, estamos com uma superlotação de grávidas por esses dias. Todos os quartos já estão cheios e a cada dia, mais uma futura mãe aparece aqui.

— Eita! Provavelmente o São João é a época do ano em que o povo mais... Bem, dá pra entender.

— Na verdade, eles mais se reproduzem nas festividades de fevereiro — Era estranho ouvi-la falando aquela palavra: reproduzir. Parecia até que éramos uma espécie de bicho — Mas, isso não vem ao caso. O que realmente importa é o motivo pelo qual lhe chamei. Todos esses bebês que estão nascendo, são semideuses.

— Como é?! — Realmente aquilo era de se espantar, tantos semideuses nascendo assim de uma só vez — Os deuses andaram tendo festinhas individuais até demais, ein?

Por um momento, havia esquecido com quem estava falando. O rosto da deusa fechou-se na mesma hora e um clima pesado pairou sobre o ambiente.

— Desculpe-me.

— Mais respeito com seus superiores, meio-sangue — Ela relaxou em seguida, voltando para a imagem maternal de antes — Mas, a história não termina ai. É difícil de imaginar isso, mas todos que estão chegando, são filhos de um único deus.

— CARAMBA! — Uma imagem começou a se formar em minha mente, mas antes dela se completar, balancei a cabeça de um lado para o outro, tentando me livrar dela antes que falasse o que estava imaginando sem perceber.

— Pois é. E infelizmente, o parentesco divino só é reconhecido quando o deus reclama o semideus como seu filho. Até lá, não sabemos sua origem, apenas podemos sentir o sangue divino junto ao mortal.

— E o que quer que eu faça? Proteja esse lugar de possíveis monstros que sintam a presença de tanto recém-semideuses juntos?

— Monstros? — Ela deu uma gargalhada — Não bobinho. Eu sou Hera, esqueceu? A Rainha dos deuses, você acha que monstros ousariam tentar atacar esse lugar? Sem contar que tem uma barreira mágica ao redor protegendo o local.

Era meio obvio aquilo, mas estava tão animado com a possibilidade de enfrentar algo que nem pensei nisso. Toda essa empolgação foi embora e já estava visível em meu rosto.

— E então, para quê precisa de mim?

— Como não tenho tempo de sair daqui, preciso que você descubra quem foi o deus responsável por isso e o mais rápido possível, pois ele precisa ajeitar essa bagunça. Todas as mulheres estão falecendo após o parto.

Minha garganta secou ao ouvir aquilo. Se for aquela a intenção da divindade masculina, estava conseguindo. Provavelmente alguém sem coração seria o responsável. A primeira opção que me veio a cabeça: Ares.

— E como faço isso?

— Acha que se eu não já soubesse, não teria feito? — Uma mulher no alto falante anunciava uma emergência. Hera levantou-se rapidamente e falou antes de sair — Você não tem muito tempo, faça isso o mais rápido possível, antes que todas essas mulheres morram.

Apesar da empolgação ter desaparecido, um breve fio de medo me pegou pelo pé. Se eu não encontrasse o pai daquelas crianças a tempo, todas as mulheres, que ali se encontravam, morreriam e eu me sentiria um pouco culpado. A única opção que tinha era: perguntar as grávidas se elas conheciam o pai. Tratei de sair daquela sala o mais rápido possível e retornar a sala de entrada, onde se encontravam algumas das futuras mortas. Digo, mamães.

“— Ele era alto, loiro, olhos claros...”

“— Musculoso, pele bronzeada, ruivo, um pouco baixo...”

“— Eu não sei como ele é. Tinha uns sete no quarto.”

Aqueles foram alguns dos depoimentos que colhi através das garotas na recepção. Eu tinha esquecido que os deuses poderiam adquirir a aparência que desejassem. Seria algo impossível. Eu já estava desistindo e voltando a sala em que acordei quando uma mulher, de aparência simples e roupas rasgadas, segurou meu pulso.

— Você não vai me perguntar também?

— Desculpe?

— Sobre o pai do meu bebê.

Provavelmente ela tinha percebido que eu estava interrogando as outras. Tentei disfarçar para ela não achar que era menor que as outras.

— Ah sim, desculpe-me. Estava indo beber água para retornar. Mas, pode falar — Agachei-me ao seu lado — Você conhece o pai do seu filho?

— Você acredita em Deus, filho? — Ela falou baixinho, com medo de que alguém mais ouvisse. Seu olhar estava petrificado, me encarando. Não piscava. A parte branca de seus olhos estava vermelha e também estava com várias olheiras na parte inferior. Provavelmente ela não dormia há tempos. 

— Bem... digamos que sim?

— Jesus veio até mim, garoto. Meu filho é seu herdeiro. O messias.

De fato eu estava perdendo tempo ali. A cada mulher que perguntava, me decepcionava ainda mais. Balancei a cabeça confirmando e logo me ajeitava para sair dali. A mulher segurou firme o meu braço.

— Ele está voltando rapaz! Ele vai corrigir todos os erros deste mundo! — Sua voz ia aumentando a cada frase — Ele transformou meu vinho em água! Meu filho é seu primogênito!! Vai ser o salvador!!

Puxei meu braço para me soltar daquela mulher. À medida que andava, os gritos de “Ele irá voltar!” iam se afastando, até sumirem de vez. Encostei-me à parede mais próxima e olhei o relógio do local. O tempo estava passando. Respirei fundo e fechei os olhos para esvaziar a mente, precisava pensar direito. Quando todo o branco tomou conta de minha mente, as frases da louca voltaram a ecoar em meu interior: “Ele transformou meu vinho em água”.

— DIONÍSIO! — Abri os olhos ao mesmo tempo em que gritava aquilo — O Senhor D. Maldição. Zeus. Vinho.

Falava aquelas palavras enquanto andava a procura de Hera. Agora tudo fazia sentido. Há muito tempo atrás, Zeus tinha amaldiçoado o Sr. D de forma que todo vinho que ele tentasse beber, se transformaria em água. Agora estava explicado o motivo de ele sair do acampamento às pressas e ficar tão assustado quando falei de Hera. Assim que avistei a deusa disfarçada de doutora por entre as janelas de vidro, abri a porta sem nem bater para anunciar minha chegada.

— Senhora! Dionísio é o responsável!

Os olhos dela ficaram vermelhos vivos. Provavelmente o ódio lhe tomou posse. Por sorte, não havia nenhum mortal naquela sala para presenciar aquela cena.

— Fique aqui, irei até o acampamento buscá-lo – Ela vociferou.

— Não, ele não está lá! O vi esta manhã fugindo. Ele foi para Bahamas.

Nem precisei falar mais nada. A deusa desapareceu em um piscar de olhos, deixando um rastro de fumaça dourada para trás e me largando ali sozinho. Olhei para os lados, não tinha mais o que fazer, mas precisava obedecê-la e esperar. Me sentei na cadeira mais próxima para aguardar o seu retorno.

(...)


Uma hora se passou até que a deusa voltasse com o maior sorriso irônico estampado em seu rosto. Levantei-me na mesma hora.

— E então?

— Aquele bastardo queria se vingar de Zeus através de mim. Sabia que se engravidasse várias mulheres em uma mesma época, todas dariam a luz em datas próximas e correriam para cá. O que me deixaria louca. Mas, eu resolvi o problema — Ela falou o ‘eu’ dando uma ênfase grande.

— Então está tudo resolvido?

— Em parte — Ela caminhou até uma estante de livros de sua sala e retirou um grande de capa roxa — Existe uma magia muito antiga... — Falou enquanto folheava as páginas do livro — ... Que é capaz de retirar a parte divina de um bebê quando se está ainda no útero, mas só se souber de quem é filho. Se conseguir fazer isso, conseguirei impedir que essas mulheres morram ao dar a luz a esses pestinhas.

— Ah! Ainda bem, então. Então posso concluir meu trabalho como feito?

— Ainda não. Considere-se livre e dispensado quando levar os sete bebês que já nasceram para o acampamento. O pai deles será o responsável por cuidar deles — Ela parou em uma página — Achei! — E saiu em uma rapidez que nem se despediu. Como eu iria levar sete bebês para o acampamento?

Fui até a ala dos recém-nascidos e observei os sete pequeninos em suas manjedouras. Olhei para o lado e avistei algumas bolsas de tecido que mães usam para carregar seus filhos. É mais um tecido, só que chamam de bolsa. Peguei duas delas, colocando uma em cada lado transversal ao meu corpo e logo depositei um bebê em cada uma delas. Por sorte, todos dormiam, então não ia me preocupar com o seu choro durante o voo.

— E ai? Você demorou. Como foi? Falou de mim?

As perguntas de Laka invadiam minha mente como um estrondo. Por sorte, os pequeninos não podiam ouvi-lo. Para não acordar os bebês, continuei a responder mentalmente ao pégaso.

— Claro! Ela ficou tão orgulhosa que pela sua bravura de me trazer até aqui, você será o responsável por levar os bebês para o acampamento.

— UAAAAAAAAAU!!!

Os olhos dele brilharam tanto que parecia até que uma lagrima escorreria a qualquer momento. Montei no ‘Palomino’ e sem demora partimos voo em direção ao acampamento. Provavelmente, Hera havia colocado alguma magia em minha volta, já que não fomos atacados por nenhum monstro em todo o percurso. Além de ter sorte dos bebês não acordarem enquanto estávamos sobrevoando a cidade.

Foi preciso quatro viagens de ida e volta até que o último bebê estivesse a salvo na Casa Grande. Dionísio havia voltado das suas quase férias e tenho certeza que o nome “Bial Edmundo” era o primeiro em sua lista de campistas odiados.

A noite já tomava conta de todo o céu quando retornei ao chalé das Hespérides. Meu corpo só queria uma coisa: cama. Não sabia que voar poderia ser tão cansativo assim.

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Beau

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:35 pm



A Conquista de Apolo
I have a crush on you
Meu coração batia aceleradamente. Embora eu fosse filho de Eros, o cupido, nunca tinha utilizado uma flecha do amor. Aquela era a primeira vez. Minha mão tremia sem parar. Estava no topo de um prédio com o arco erguido na direção do casal que estava do lado de fora de um SPA. Fechei um dos olhos para mirar na ruiva de costas para mim, o que era difícil, já que ela também não colaborava: se mexia o tempo todo. Respirei fundo e aproveitei o segundo em que ela parou de se movimentar para soltar a o fio com a flecha que estava esticada ao máximo.

A flecha de ouro branco, com rubi em forma de coração na ponta, cortou o ar em uma velocidade inacreditável. Entretanto, quanto mais a flecha se aproximava da menina, mais o tempo ia diminuindo. Ao ponto de congelar totalmente e todo aquele dia passar em minha cabeça.



(...)

Às vezes, eu acho que só o fato em ser semideus faz com que minha vida seja agitada e não tenha um minuto de descanso. Estava caminhando por entre a floresta, fazendo a ronda diária dos guardiões, quando avistei um homem loiro por trás dos arbustos, observando um grupo de semideuses que andavam próximo dali. Andei devagar até parar atrás do espião.

— Posso ajudá-lo?

Ele pareceu se assustar. E em um pulo, levantou-se, ficando totalmente ereto e virou em minha direção. Desta vez, eu que me assustei: Ele era um dos homens mais bonitos que já tinha visto. Meu rosto corou, mas continuei de queixo erguido para mostrar autoridade.

— Ah. Ahn... Claro... É que eu só... — Ele parecia não saber o que falar — Okay, por favor, não conte a Elena, mas a verdade é que eu não resisto a uma filha de Afrodite.

O desespero era evidente em sua voz. Quem era Elena? Quem era ele? Balancei os braços como se quem pedisse calma.

— Okay, okay. Não vou contar — Voltava a repousar os braços ao lado do corpo — Mas, quem é você?

Ele com certeza não era campista, nunca tinha visto-o por ali. E olha que conheço todos os bonitões de vista. Sem contar que ele tinha cara de ser mais velho.

— Me espanta você não reconhecer minha beleza — Ele virou de perfil, achando que provavelmente iria ajudar de alguma forma. Eu apenas balancei a cabeça negativamente — Vocês, semideuses, precisam estudar mais as aparências dos deuses — Disse ele enquanto voltava a sua postura normal — Apolo, deus da musica, sol, beleza e bla bla bla.

Sem pensar duas vezes, tratei de me curvar a sua frente. Eu de fato estava espantado. Era o segundo deus que me aparecia em dois dias seguidos. Primeiro Hera e agora ele. Será que estava acontecendo alguma convenção de deuses no mundo mortal? Era a única explicação.

— Ah, perdoe-me a grosseria, senhor.

— Grosso? E você foi grosso onde? E por favor, vamos parar com essas formalidades. Nem sou tão velho assim. Só me chame de Apolo.

— Okay — Falei enquanto me ajeitava — E o que te traz aqui no acampamento, Apolo?

— Ah... Eu preciso da ajuda de algum filho de Afrodite. Digamos que eu esteja precisando de um pouco de amor — Ele respirou fundo — O problema é que eu não consigo ver proles dela que eu fico “animado”.

Automaticamente eu abaixei o rosto para olhar as partes baixas das vestes que usava. Olhando diretamente para o volume em sua bermuda. Um formigamento tomou conta de todo o meu rosto, deixando-o ainda mais vermelho e logo voltei a levantá-lo, torcendo para que o deus não tivesse visto tal cena.

— Eu estou apaixonado por uma mortal, mas ela parece não me dar bola. Então achei que filhos da deusa do amor, poderiam me ajudar com isso.

— E netos dela? — Falei na mesma hora — Digo, filhos de Eros não seria mais indicado?

— Eros? Por Zeus! Tem razão! — Ele exclamou quase dando pulinhos — Você conhece algum?

Ou ele não era um deus muito inteligente ou ele não se importava com meio-sangue. Os dois deuses que conheci já sabiam perfeitamente quem eu era, sem precisar me apresentar. 

— Er.. Está de frente pra um, achei que soubesse.

— VOCÊ É FILHO DE EROS? — A felicidade dele era tanta que nem percebeu que havia gritado — Ah claro, eu sabia, só queria que você se propusesse para ajudar — Aquela era uma das piores desculpas que já ouvi — Vamos?

— Para onde?

— Centro de Nova York! SPA Olhos Revirados. É lá onde ela trabalha.

Ele falou aquilo e logo em seguida me segurou pelo braço, puxando-me para um abraço de lado extremamente caloroso. Não sei se era porque ele era o deus do sol ou porque me senti bastante atraído, mas que era quente, era.

— Isso é mesmo necessário?

— Não, só queria que você sentisse meu corpo.

E ele deu uma piscada com o olho direito enquanto esbanjava um sorriso extremamente branco. Eu me senti completamente envergonhado, provavelmente ele havia percebi que me senti atraído.

— Como disse que se chamava mesmo?

— Eu não disse — E aquela pergunta quebrou todo o clima que poderia estar existindo — Você é um deus mesmo?

Ele sorriu e em um movimento de mão rápido, uma luz forte nos envolveu por completo, nos teletransportando dali.



E em um piscar de olhos, estávamos parados em frente ao SPA que ele havia citado. O nome era bem sugestivo: “Olhos Revirados”. Pergunto-me o que ele estaria fazendo ali quando a conheceu.

— É ela.

O deus falou ao encostar todo o rosto no vidro do local, com o olhar congelado em uma mulher ruiva, bastante bonita, com o seu cabelo preso em um rabo de cavalo e com um uniforme curto, rosa bebê.

— E então, como vai fazer a sua mágica?

— Você realmente não tem noção das coisas né? — Me espantei ao ouvir a pergunta dele. Toquei no pingente da pulseira que carregava em meu braço direito, transformando-a em um arco grande de ouro branco. Provavelmente, a névoa faria os mortais verem outra coisa no lugar da arma em minha mão — Flecha do amor.

— MARAVILHA! — Ele parecia realmente animado com aquilo.

— Você vai chamá-la aqui para fora e eu ficarei um pouco afastado. Assim que eu acertar a flecha nela, você tem que ficar a sua frente, pois ela irá se apaixonar pela primeira pessoa que avistar. Entendeu? — Ele apenas balançou a cabeça confirmando.

Afastei-me, ficando parado na esquina da rua em que estávamos. Apolo entrou no SPA e ficou alguns minutos lá dentro. Não sei o que ele falou para a garota, mas logo estavam do lado de fora, na calçada. Arqueei o arco na altura do ombro e puxei o cordão dele, materializando uma flecha à medida que esticava o fio. Tudo teria dado certo se o deus burro não tivesse deixado Elena com o rosto virado em minha direção. 

— CUIDADO!

Foi a única coisa que consegui ouvir aquela distancia. Apolo assustou-se e puxou ambos para dentro do trabalho dela. Desfiz a flecha e corri o mais rápido que podia, me escondendo no primeiro beco sem saída que encontrei. O que ela avistou? A névoa mostrava algo de ruim em minha mão? Aproveitava para controlar a respiração enquanto esperava algum contato do deus solar.

Não demorou muito até ele aparecer com uma cara de assustado ao meu lado.

— ELA VÊ ATRAVÉS DA NÉVOA! COMO PODE?

— COMO É? VOCÊ ME CHAMOU PRA ATIRAR EM UMA SEMIDEUSA?

— ELA NÃO É SEMIDEUS!

— ENTÃO COMO VOCÊ EXPLICA ELA VER ATRAVÉS DA NÉVOA?

— EU NÃO SEI!!

Os gritos iam aumentando cada vez mais, embora ambos se tratando de entonações diferentes: Ele, espanto, eu, falta de paciência. Respirei fundo quando percebi que estávamos chamando a atenção das pessoas que passavam perto da entrada do beco.

— Apolo, o que você tem de bonito, você tem de... — Parei ao ver sua cara de raiva para o meu lado — Você também não e o deus do oráculo? Você não deveria saber tudo?

— Tem razão!! Você até que é inteligente para um filho de Eros.

Ele falou aquilo enquanto ajeitava-se: sentando de pernas cruzadas em cima de uma lata de lixo, posição de quem iria meditar. O deus fechou os seus olhos e começou a trabalhar na respiração.

— Ohm.

— Te garanto que sou mais esperto que você... — Falei enquanto me encostava na parede mais próxima.

— Quieto!! — Reclamou antes de voltar a fazer o som de meditação — Ohm.

Eu já estava quase dormindo, mas, depois de sete ‘ohms’ seguidos, finalmente a coisa parecia estar funcionando.

{Por favor, peço que dê play no player abaixo antes de ler os parágrafos seguintes}



Uma névoa dourada apareceu, cobrindo todo o ambiente a nossa volta. Aos poucos, o deus ia ficando suspenso no ar, levitando em cima da lata de lixo. Seus olhos abriram e no lugar de suas íris azuis, um vazio dourado e luminoso tomava conta. Sua fala vinha junto com mais fumaça que saia de sua boca a cada palavra.

Nos dias de hoje, o ovo chocou. 
A filha de Zeus renasceu. 
A grande beleza herdou. 
E o corpo da ruiva escolheu. 
Em época digital, o cavalo de madeira, robô se tornou. 
Mas, seu nome permaneceu.

Aos poucos seu corpo ia abaixando, voltando a ficar totalmente sentado em cima da lata. Se não fosse todo o ar de mistério no local, aquela seria uma cena engraçada: um deus, meditando em uma lata de lixo. A fumaça do local começava a dispersar, desaparecendo totalmente em poucos segundos. Apolo piscou os olhos algumas vezes, até eles voltarem a sua coloração normal.

{Por favor, retirar a música antes de continuar a leitura}


— E então? Ajudou?

— Ô, e como.

Fiz um gesto de ‘joinha’ antes de começar a discutir a profecia do oráculo. Eu não sabia quanto tempo passamos para tentar entender, a única coisa que tinha certeza, era que minha cabeça já estava esgotada. Eu de fato não entendia como o deus não conseguia entender a sua própria fala. Chegava a dar raiva em alguns momentos. Foi quando me lembrei de uma das histórias mais conhecidas.

— O Cavalo de Tróia!! — Exclamei — O cavalo de madeira, se refere ao cavalo de Tróia!!

— É CLARO! — Ele realmente gostava de gritar — Continua!

Arquei as sobrancelhas ao ouvir o pedido dele para continuar. Acho que ele estava achando que eu era algum tipo de ‘desvendador’ de mistérios, se é que essa palavra ou profissão existe.

— Grande beleza... — Citava as palavras do oráculo para fazer conexão — Helena... Helena de Tróia! — Realmente aquilo era animador — Caramba! Agora tudo faz sentido!!

— Faz? — Sua expressão de dúvida estava estampada na cara. 

— Filha de Zeus que nasceu do ovo: Helena. Zeus seduziu Leda em forma de cisne e ela chocou dois ovos de onde saiu Helena e seus irmãos — Falava, ignorando o deus bonitão — A grande beleza... Helena novamente — As informações vinham bombardeando minha mente — O corpo da ruiva escolheu... Mas, seu nome permaneceu... Reencarnação! — Parei de frente para Apolo — Elena é a reencarnação de Helena, por isso ela consegue ver através da névoa!

O deus da música pareceu ainda mais confuso. Ele ficou um tempo pensando até seu rosto iluminar mais do que já era.

— CARAMBA! TEM RAZÃO! Filho de Eros, você é um gênio!! Merece um beijo!

Eu juro que ele estava vindo em minha direção para me dar um beijo que não era na bochecha. Mas antes que ele pudesse aproximar-se demais, segurei-o pelos ombros, impedindo de tocar seus lábios nos meus.

— Apolo... Elena, lembra? — Foi difícil impedir aquilo, mas era o certo.

— Ah é! — E como se desfizesse do transe, ele se afastou — Tem razão. Qual é o plano?

Será que valia a pena fazer a garota e apaixonar por ele? Estava na cara que ele era meio galinha.

— O plano é ela não me enxergar. Vi que tem um prédio em frente ao SPA. Vou subir lá enquanto você trás ela de volta para fora. Só que desta vez, trata de deixá-la de costas para mim.

— Certo, certo. Vamos?

Assenti com a cabeça e enquanto ele ia para o trabalho da ruiva, eu entrava no prédio vermelho que ficava em frente para pegar o elevador até o topo. Assim que cheguei ao local desejado, abaixei-me próximo ao parapeito do teto e ativei o arco que aquela altura já havia voltado a ser pulseira.

Os pombinhos saíram de dentro, Elena parecia inquieta, provavelmente ainda estava assustada com o que havia acontecido anteriormente. Olhava de um lado para o outro, vendo se a barra estava limpa. Eu não podia demorar, não sabia quanto tempo iriam passar lá dentro. Levantei o arco na altura dos ombros e puxei o fio devagar, voltando a materializar a flecha na arma.

(...)



A flecha de ouro branco, com rubi em forma de coração na ponta, cortou o ar em uma velocidade inacreditável até acertar em cheio a garota em suas costas.



A ruiva se curvou para frente, mas logo se levantou ao mesmo tempo em que a flecha crava desaparecia como se fosse uma ilusão. O olhar da mortal encontrou o belo deus a sua frente e em poucos segundos seus lábios estavam grudados em um caloroso beijo.

Aquela tinha sido a primeira vez que havia feito aquilo e de fato era algo prazeroso. Se Eros estivesse me observando, provavelmente ficaria orgulhoso. Esbanjei um sorriso ao ver o mais novo casal entrando no SPA em meio a amasso. Com certeza, agora, Apolo iria revirar os olhos em alguma área particular do lugar.

Já estava voltando para o elevador quando percebi algo: “Como vou embora?” Apolo estava ferrado na minha mão. 

Equipamento:
 


Poderes:
 


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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:37 pm



+16 A vingança de Hefesto
I Have a Date!
Sair do Olimpo era algo complicado para alguém que nunca havia pisado lá. Faziam alguns minutos que deixei Evie e a biblioteca da deusa Athena. A impressão que dava era que estava rodando no mesmo lugar, pois havia passado pela mesma casa rosa umas três vezes. Se eles faziam aquilo com o intuito de que semideuses se perdessem, conseguiam. Ao mesmo tempo era incrível, ver todos aqueles monumentos coberto de nuvens no chão. Acho que por isso que eu me perdia, ficava encantado pelas construções.

KABUM!

Aquele barulho de explosão fez o chão, escondido por entre as nuvens, tremer. Olhei assustado para o lado, ao ver uma fumaça preta não muito longe dali. Corri na direção de onde veio a explosão, até parar em frente a uma casa não muito grande se comparar as que ali existiam. Possuía paredes amarronzadas e era como se tivesse sido toda remendada com diversos tipos de metais.

Eu podia dizer que foi o instinto de proteção que me fez correr até ali e abrir a porta para ver se alguém havia se machucado, mas a verdade é que era o instinto curioso mesmo. Uma nuvem preta de fuligem veio em minha direção assim que a porta foi aberta, me fazendo legar a mão até o nariz e a boca, tampando as vias respiratórias em meio a tossidas fortes.

— Com licença? Tem alguém aí?

— Cof, cof, cof!

A voz rouca masculina surgiu por entre a fumaça que parecia nunca ter fim. Adentrei o local, abanando o tempo todo para afastar a fumaça até encontrar um homem robusto. Pude reparar mais nele, quando este deu um passo que permitiu que uma das poucas luzes do ambiente, pudesse iluminar seu rosto. Cicatrizes estavam espalhadas pela sua face provavelmente existiam mais por baixo da barba grande que ele possuía. Suas mãos grandes pareciam ter uma camada extra de pele dura, indicando que as utilizava de forma pesada. Não chegava a ser gordo, mas era largo, tamanho provindo de músculos exageradamente grandes. Aquele homem estava longe de ser considerado uma das sete maravilhas do mundo, quer dizer, do meu mundo.

— Por Zeus, será que isso nunca vai funcionar?! — Ele exclamou sem perceber minha presença.

— Está com problemas, senhor?

— O que? — Foi quando ele se tocou, finalmente, que não estava só. Virou em minha direção e me encarou por um momento — Quem é você? O que faz aqui?

— Ah, perdoe-me — Ele estava certo em estranhar minha presença — Sou Beau. Filho de Eros e Guard...

— Você é neto de minha esposa? – Ele falou quase que correndo em minha direção e se aproximando para olhar melhor, sem nem me deixar terminar a apresentação — Ela que te mandou aqui?

Foi quando entendi quem ele era. Agora com bem menos fumaça, era possível ver as maquinarias penduradas nas paredes e várias grandes mesas de trabalho. Era óbvio que ele era o deus das forjas, que burrice a minha.

— HEFESTO! VOCÊ É HEFESTO! — Falei quase em um grito — Não, não, Afrodite não me mandou aqui. Estava tentando sair do Olimpo quando ouvi a explosão e vim ver se alguém havia se machucado.

— Ótimo, então você vai me ajudar — Ele me puxou pelo braço sem nem ouvir se eu aceitaria — Senta ai! — E me jogou em uma poltrona surrada, mas bastante confortável. Ela estivera ali antes? — A minha esposa voltou a se encontrar com Ares, aquele que infelizmente tenho que chamar de irmão. Você tem que descobrir onde é o próximo encontro dos dois. Minha nova máquina irá atrapalhar o casalzinho.

Ele finalizou a fala com uma risada maquiavélica alta, que provavelmente, poderia ser ouvida do próprio Acampamento Meio Sangue. Engoli em seco. Por que eu? Eu estava tão cansado, só queria ir para casa.

— Senhor, eu adoraria ajudá-lo, mas eu estou bastante cansado e preciso retornar para o Acampamento.

— Como ousa desobedecer a uma ordem minha? — Ele fechou sua mão em punho, fazendo chamas recobrirem-na e bateu com força em uma de suas mesas — Olha, aqui, você é filho do Amor, é sua obrigação me ajudar. Se não... — Ele virou o rosto e encarou uma coleção de cabeças de animais mecânicos em uma das paredes — Se não, alguém vai se juntar a eles — Outra risada saiu de sua boca. Eu não acho que ele era maquiavélico daquela maneira, acredito que estava, apenas, tentando me amedrontar — Você tem até o fim do dia para conseguir as informações. Caso consiga, eu mesmo o levarei de volta para o acampamento.

Hefesto falou aquela ultima frase de modo mais tranquilo, antes de se virar e retornar para os seus afazeres, ignorando totalmente qualquer indicio de fala que eu houvesse articular. Que ótimo, ameaçado por um deus. Respirei fundo enquanto saía dali. Parei ao lado de fora da casa e olhei ao redor a procura de algo.

— E agora... Afrodite. Onde encontrar?

— O que você quer com a minha deusa?!

A voz gralhada surgiu em minha cabeça de repente, me fazendo recuar com o susto. De onde vinha?

— Quem está aí? — Olhava ao redor sem parar,a procura de qualquer presença.

— Aqui em cima, idiota!

Eu realmente tive medo de olhar para cima, mas fiz tal ato a ponto de ver um pombo branco em cima de uma das hastes que existiam no teto da entrada daquela casa mal construída. O pássaro balançou a cabeça algumas vezes enquanto me observava.

— Espera, como é que eu posso te entender?

— Você. Filho de Eros. Neto de minha deusa.

Sua voz era estridente e ele tinha uma maneira estranha de falar. Sim, era ele. Era macho, eu conseguia perceber não só pela sua voz, mas algo interior me fazia saber de seu sexo.

— O que você quer com minha deusa?! — A pergunta voltava a cortar minha mente, me fazendo ter uma leve de dor de cabeça.

— Ah, tem razão, você é o símbolo de Afrodite. A pomba branca — Era uma coisa óbvia que demorei um tempo a perceber — E o que você ta fazendo aqui?

— Eu observo o senhor Hefesto para a minha deu... — Ele levou as asas até o bico — O QUÊÊ? COMO EU FALEI ISSO?! O QUE VOCÊ FEZ COMIGO?

Então ele era um espião? Exatamente o que o deus das forjas tinha pedido para eu fazer. Saberia ele desse olho espião em sua cola? E como é que aquele pombo burro entregou as coisas assim tão rapidamente? É algum poder meu? Quantas dúvidas!

— AHÁ!

— POR FAVOR, NÃO CONTE A MINHA DEUSA QUE VOCÊ SABE — Ele sobrevoou em minha direção, pairando a minha frente — Por favor, moço, nem pra Hefesto!

— Olha aqui, eu posso não contar se você me ajudar!

— Qualquer coisa! – E se jogou no chão com as asas abertas, quase chorando.

— Eu preciso saber onde ela vai se encontrar com Ares, você pode me dizer?

— Aí o senhor já quer demais. Quer que eu traia minha rainha magnífica desta maneira? Desculpe-me, mas essa informação, não posso dar — Ele falou se levantando e virando as costas para mim — Adeus, semideus.

— Tudo bem, pois uma deusa vai ficar sabendo de um pombo idiota que entregou a espionagem para um semideus — Falei dando de ombros. Na mesma hora ele retornou para minha frente, voltando a se jogar aos meus pés.

— NÃAAO! POR FAVOR, PELO AMOR DE AFRODITE, NÃO FAZ ISSO!

— Então fala logo o que sabe! – Cruzei os braços em frente ao meu peito.

— Eu não sei de nada! Nadica! Quem ajuda ela com isso é Hímeros, ele que sabe dessas coisas!

— Hímeros? — Eu já ouvi falar daquele nome — E onde eu encontro esse homem?

Ele levantou a asa direita, ainda sem olhar para mim. Apontando para o leste, onde havia uma colina com uma mansão branca e detalhes dourados ao seu redor.

— Ali, onde minha deusa vive. Agora cumpra a sua palavra e fique de bico calado.

Arqueei as sobrancelhas ao ver aquele pombo burro tentando me dar ordens. Ele voou o mais rápido que conseguiu, após sua ordem. Aquela era a ave mais medrosa que conheci. Na verdade, era a única com que conversei. Dei uma risada enquanto começava a andar em direção a tal casa de Afrodite.

A caminhada até o destino durou alguns longos minutos. O cansaço da missão anterior estava bem forte. Eu estava tão distraído que nem percebi que adentrei a mansão sem nem pedir autorização. Só percebi quando passava por um corredor bastante luxuoso, cheio de brilho. Eu tinha invadido a casa da deusa.

— Diva que pariu! – Levei as mãos à boca.

Assustei-me ao percebi meu ato. Se ela descobrisse, eu estaria fodido. Adentrei na primeira grande porta que avistei, fechando-a delicadamente para não fazer barulho e ninguém perceber minha presença. Em vão.

— Você se esqueceu de que está em uma casa de deuses.

A voz masculina me fez virar em susto. Um belo homem, e põe belo nisso, estava deitado, completamente desnudo em uma cama adornada em ouro, apenas com um lençol branco cobrindo suas partes. Eu estava em um quarto tão belo quanto as outras áreas da casa que havia passado. Gelei com a presença do loiro. Seus traços me eram familiares, familiares até demais. Eu podia jurar que ele parecia comigo.

— Perdeu a voz, Beau?

— Você me conhece?

— Claro, acha que não conheço os meus sobrinhos?

É claro! Aquele era Hímeros. O irmão gêmeo de meu pai, Eros. Por isso o achei tão parecido comigo. Ter noção de quem ele era me causou uma sensação prazerosa e um calor tomou conta de meu corpo.

— Hímeros... — Falei baixo.

— O que está fazendo aqui? — Ele me pegou desprevenido. O suor escorreu pela lateral de meu rosto, por sorte, eu sabiam mentir bem.

— Vim ajudar Athena com uma coisa, aí fiquei sabendo que aqui era a morada de Afrodite e decidi ver se podia encontrar meu pai por aqui — Bem, era uma mentira mediana.

— Pobre ilusão de semideus, acreditar que os deuses se importam com seus filhos — Ele balançou a cabeça negativamente — Você não encontrou seu pai, mas encontrou algo melhor.

O Erote levantou-se, deixando o lençol cair de lado, revelando suas partes intimas antes escondida. Meu rosto esquentou, indicando um rubor forte em minhas bochechas. Não podia evitar o olhar para o seu instrumento de trabalho, mas tentava ao máximo me controlar para permanecer com o olho na parede. Ele caminhou ate uma outra porta, abrindo-a com uma das mãos e parando em frente.

— Você parece cansado — E de fato, estava — Venha. Tenho sais perfeitos para banho que ajudam a relaxar.

Era visível as segundas intenções em sua voz. Mas o mais incrível, era o quão forte a sua fala era. Ao ponto de me fazer caminhar em sua direção, sem ter o controle de meu próprio corpo. Uma excitação interna surgiu em mim ao me aproximar do meu tio, passando devagar e adentrando o banheiro espaçoso. O deus entrou em seguida, posicionando-se atrás de mim e fechando a porta rapidamente. Eu já sabia o que tudo aquilo indicaria.

{...}

Acordei em meio a um susto. Estava deitado ao lado do belo deus loiro. Quantas horas fazia que estava dormindo? Não sei. Mas sabia que tinha perdido metade do tempo que possuía para descobrir o próximo encontro de minha avó com Ares. Levantei-me sem fazer barulho e comecei a vestir minhas roupas que estavam jogadas no chão, ao lado da cama.

— Já vai?

Levei um susto ao ouvir a voz do deus. Levei meu olhar de encontro ao dele. Ele sorria com os olhos ainda semicerrados do sono.

— Não tenho muito tempo, tenho umas coisinhas para resolver — Vestia a camisa enquanto falava.

— Quando nos veremos novamente?

Outro susto me veio á tona, desta vez era mais uma surpresa. Um deus, com quem acabara de ter relações sexuais, queria me encontrar para repetir a dose? Choquei!

— Ahn... não sei — Tentei desconversar — Amanhã?

— Amanhã não posso, tenho uns... Afazeres com minha mãe.

Entendi na hora o que aquilo significaria. Era minha chance de conseguir fazer ele falar sobre o tal encontro. Abri um sorriso enquanto me sentava na beirada cama para calçar os sapatos.

— Ué, pode ser depois — Falei tentando parecer inocente — De que horas é o seu compromisso?

— Umas 16 horas, perto do entardecer — Ele deu de ombros.

— Então, melhor ainda, você fica livre a noite — Tentei dar uma piscada após a fala — Onde vai ser? Quer que eu te encontre lá?

— Lá no Bosque das Ninfas Rosa – Ele falou enquanto mexia em sua unha da mão direita — Mas é mais fácil eu ir onde você estiver. Só esteja pronto ao anoitecer.

Eu tinha conseguido o que precisava. Nem acreditava naquilo. Só que infelizmente, ou felizmente, em troca ganhei um encontro com o tal deus em questão. Inspirei profundamente ao terminar de colocar o calçado. Levantei-me e após algumas falas, me despedi do meu tio. Era até estranho me referir a ele daquela maneira.

Em poucos instantes, já estava de volta a oficina de Hefesto. Adentrando correndo e quase que sem ar.

— EU DESCOBRI! – Parava para respirar, ofegante — Desculpe a demora.

O deus parou tudo o que estava fazendo e se aproximou de mim, torcendo o nariz ao chegar perto. Ele me olhou de forma curiosa, levando um óculos, que agora usava, para mais perto de seu olho.

— Você fede a sexo. O que andou fazendo?

— Quer saber pra onde ela vai ou não? – Ele se calou na hora — Por volta das 16:00 de amanhã. Ao entardecer. Bosque das Ninfas Rosa.

— MARAVILHA! LUGAR PERFEITO!

— E o que é que o senhor pretende fazer?

— Isso é problema meu, moleque — E virou-se de volta para sua mesa — Dispensado.

E com um gesticular de mãos, uma nuvem de fuligem me envolveu. Fazendo-me tossir que nem a primeira vez que cheguei ali. Em um piscar de olhos, estava de volta ao acampamento, para ser mais exato, no chalé das Hespérides. Olhei preocupado para o espelho, vendo todo o meu corpo manchado de preto por causa da fumaça, mas com uma única pergunta em minha mente: “O que eu tinha acabado de fazer?”.

Afrodite me mataria quando descobrisse.

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Beau

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:38 pm



O livro perdido de Athena
My new roman friend
Aquele inicio de ano era provavelmente o mais movimentado que já tive em toda a minha vida, pelo menos até este momento. Quando finalmente eu podia tirar o dia para descansar depois de dois encontros loucos com deuses, eis que me surge o ultimo ao qual encontrei. Apolo. Tinha acabado de sair do banho e estava me trocando no quarto dos Chalés das Hespérides quando ouvi aquela voz familiar.

— Nossa! Rei de bateria, nota dez!

Embora eu não tivesse problema nenhum com nudismo, não tive como me assustar com o aparecimento dele na cama atrás de mim, me fazendo enrolar a toalha novamente ao redor do meu corpo antes de me virar para encará-lo.

— Você é louco ou o que? — Perguntei quase gritando — E como você entrou aqui?!

— Eu sou um deus, oras. Posso estar em qualquer lugar.

Revirei os olhos. Aquele exibicionismo dele era demais até para mim. Respirei fundo para acalmar do susto e logo tratei de me vestir, colocando uma cueca, calça jeans e camisa branca.

— Acho que vou começar a aparecer aqui mais vezes — Ele falou e soltou uma risadinha em seguida.

— Nem pense! — Levava a toalha aos cabelos para enxugar — Por falar nisso, o que está fazendo aqui?

— Como você é ruim! — O loiro balançou a cabeça negativamente algumas vezes, levantando-se da cama em seguida — Bem, como você me ajudou, achei que poderia te ajudar — Ele começou a andar pelo quarto — Se você começar a servir bem os deuses, pode se tornar um grande herói. O que me diz?

Para ser sincero, aquela proposta era tentadora. Eu gostava do fato de ser herói, gostava de ter a atenção dos deuses, isso não podia negar. Parei em frente ao espelho e comece ia ajeitar o cabelo, deixando-o levemente bagunçado.

— Certo, e...?

— Digamos que tenha outra pessoa precisando de ajuda. Athena, provavelmente já ouviu falar dela — Eu o encarei com uma expressão de como quem dissesse: “sério que você acha isso?” — Nem todos conhecem se você quer saber — Ele se pronunciou assim que me observou — Enfim, ela está uma fera porque desapareceu um livro na sua biblioteca. E achei que você podia ajudá-la, posso levá-lo lá.

— Apolo... — Arqueei as sobrancelhas ao encará-lo — O que é que você quer? Digo, o que você ganha em troca disso? — Eu sabia que para um deus se movimentar assim, era porque ele estava interessado em algo.

— Bem... Se você encontrar o livro, basta dizer que eu que o mandei até ela — E abriu um largo sorriso branco.

Era óbvio que ele queria alguma coisa dela e estava me usando para isso, mas a ideia de conhecer a biblioteca da deusa da sabedoria era algo irrecusável. Calcei o tênis de mesma cor que a camisa e fiquei em pé.

— Certo, só me deixe pegar meus equipamentos.

Peguei em cima da cômoda tudo o que acreditei que precisaria: o colar com pingente de uma asa acorrentada, a pulseira com pingente de coração, o anel de ouro com meu nome gravado, e os dois braceletes escuros com o desenho de maçã dourada. Voltei a ficar parado em frente ao deus após estar devidamente preparado.

— Pronto, podemos ir.

E sem falar nada ele repetiu o movimento do nosso ultimo encontro, me puxando para perto de seu corpo, praticamente colando nós dois e deixando aparecer um sorriso sacana em seus lábios. Revirei os olhos antes de levar uma mão a minha própria testa. Por que ele tinha que ser tão cafajeste?

Parte I


Em um piscar de olhos estávamos em frente a maior construção que eu já havia visto na vida: Várias colunas gregas seguravam o grande triangulo suspenso da entrada, onde havia letras douradas que formavam o nome da deusa em questão. As paredes por trás das colunas eram em um tom de amarelo mais claro que o normal. Eu não sabia nem como descrever aquilo.

Estive tão concentrado admirando o lugar que demorou um tempo até perceber que o deus da música havia desaparecido. Havia sido ‘largado’ por ele pela segunda vez consecutiva. Ele iria me pagar em algum momento.

Caminhei até a grande porta de entrada e empurrei com um pouco de força, até que ela abrisse o suficiente para que eu pudesse entrar. Se eu já tinha achado bonita por fora, o interior da biblioteca era ainda mais. Suas paredes acinzentadas com o piso em mármore branco davam um ar sério e clean, junto com as prateleiras prateadas repletas de livros.

Apesar de muito bonita, era possível sentir um clima pesado e tenso. Aos fundos um grito feminino de raiva ecoava pelo ambiente, juntamente com barulho de livros caindo ao chão. Provavelmente, Athena estava jogando tudo para o alto a procura de seu livro. Devia avisá-la de minha chegada. Então, tratei de tentar caminhar em direção ao local de onde vinha o som. Adentrando as estantes de livros.

Acho que já tinha se passado cinco minutos de caminhada e não tinha encontrado uma saída ainda. Ou aquilo era uma espécie de labirinto, ou só era muito grande mesmo. A impressão que eu tinha, era que não saia da sessão de fantasia nunca. Já andava quase desesperado, quando ao dobrar em uma “esquina”, formada pelas ruas de livros, esbarrei em alguém. O grito de susto saiu na mesma hora em que meu corpo era jogado para trás.

— AAAAAAHH!

Apoiei o pé direito e impulsionei o corpo para frente, evitando a queda de bunda. Já estava pronto para ativar alguma arma quando reconheci a figura feminina em minha frente.

— Ué, Evie? — Era a romana que havia conhecido na festa comemorativa na fogueira — O que você faz aqui? — Me sentia aliviado por ser alguém conhecido, embora não sei muita coisa a respeito dela ainda.

— Beau? — Ela falou ao lembrar o meu nome — Fui convocada para ajudar Minerva, parece que ela perdeu um livro. Vim procurar. E você?

— Minerva? Ah sim, a forma romana de Athena – Eu não era muito bom com as versões romanas dos deuses — Vim pelo mesmo motivo, Apolo veio me encher no chalé e pediu que eu ajudasse.

Olhei a redor no momento em que outro grito surgia. Meu olhar encontrou o da Evie que pareceu saber exatamente o que eu queria dizer: “vamos”. Corremos na mesma hora a procura da deusa, parando em um circulo que parecia ser o ponto de encontro das estantes. Provavelmente o centro daquele andar da biblioteca em que estávamos, o térreo.

— Ela realmente não está em um bom dia.

Evie falou antes de um tremor tomar conta do local. Segurei no ombro dela enquanto as estantes começaram a se afastar, formando um grande circulo como se fosse uma espécie de mini arena.

“Onde estou?”

A voz ecoou pelo ambiente no momento em que tudo se modificou. De repente, estávamos em meio a uma rua movimentada, não de pessoas, mas sim de monstros. As coisas aconteciam tão rápidas que nem conseguia abrir a boca para falar algo. S monstros até então, andavam de um lado para o outro.

— Acha que eles podem nos ver?

Perguntei tentando falar baixo, próximo ao ouvido da garota. A minha resposta veio após terminar a fala, quando todos os que passavam por ali nos encararam com seus olhos vermelhos. Eu não sabia identificar todas as espécies ali presente, apenas dois ciclopes e uma equidna.

— CORRE!

Evie gritou quando percebeu que eles avançariam em nossa direção. Não pensei duas vezes e segui sua ordem, correndo junto a ela na direção em que parecia haver menos encrenca. Já havíamos cruzado três ruas quando dobramos uma esquina a esquerda e um bando de aves negras pairavam no ar a nossa espera. Tentamos retornar pelo caminho que pegamos, mas os gigantes de um olho só nos encurralaram.

— Fodeu...

Realmente estávamos ferrados: De um lado, um bando com umas dez aves negras e do outro, os dois ciclopes. Meus batimentos aceleraram, algo me dizia que não sairíamos vivos dali.

“Onde estou?”

A voz voltou a aparecer, ela já estava me irritando. Eu ia lá me preocupar com onde aquele ser estava quando eu estava à beira da morte? Girei os pulsos algumas vezes, fazendo os braceletes que usava ativarem, transformando-os nas espadas duplas que possuía.

— Você dá conta das aves? — Perguntei a Evie enquanto me virava para os gigantes.

A verdade é que não tive tempo de ouvir se ela respondeu algo, pois um dos ciclopes avançou em nossa direção, rindo. Sua risada era estranha, assim como o seu andar. Ele tentou dar um soco ao se aproximar de onde eu estava, mas por sorte desviei e avancei com as espadas para cima dele, desferindo dois cortes paralelos em sua coxa esquerda. O monstro gritou de dor.

— Vai querer brigar comigo? Idiota!

Sem que eu percebesse, o outro ciclope me prendeu com suas grandes mãos, suspendendo-me um pouco do chão. Eu teria perfurado suas mãos com as espadas se elas não tivessem caído no chão no momento do ataque.

— Comida!

— Comida? Mal passada? Espera, é melhor assar antes!

E falando aquilo, fiz com que duas bolas de fogo surgissem em minhas mãos, dentro da mão gigante que me envolvia. Queimando tal parte do monstro, de forma que ele me soltou enquanto gritava de dor. Olhei de lado rapidamente para ver como a romana estava com as aves. Continuava viva, então era um bom sinal.

Rolei no chão em direção as espadas caídas, conseguindo apenas pegar uma delas. O ciclope que havia cortado a perna avançou em minha direção. Ainda deitado no chão, estiquei a espada de forma horizontal para impedir a mão dele de se aproximar. O outro bobalhão balançava as mãos queimadas e assoprava, esquecendo totalmente te mim.

“Onde estou?”

— Diva que pariu! Não está vendo que eu estou ocupado?!

Eu já estava muito estressado por causa daquela voz que perguntava aquilo o tempo todo. Impulsionei a espada com mais força contra o ciclope, cortando-o mais uma vez em sua mão. A voz misteriosa ficava ainda mais frequente, a raiva já tomava conta de todo o meu corpo. Levantei-me em um pulo e avancei para cima do gigante, quando ouvi a Evie gritar:

— Beau! Onde estamos?! — Ela atacava os pássaros durante a gritaria — ONDE ESTAMOS?!

— COMO EU VOU SABER? — Abria a palma esquerda, fazendo aparecer uma bola de água que lancei contra o monstro a minha frente.

— DESCOBRE!

Por que ela queria aquilo? Tanta coisa pra se preocupar e ela queria saber onde estávamos? Olhei rapidamente para o ciclope queimado, ele agora estava furioso e avançava em minha direção. Já estava desviando quando avistei na esquina uma placa com um endereço.

— BUKER HILL!! – Gritei o mais alto que podia para que ela escutasse.

De repente todos os monstros se desfizeram em pó. O ambiente começou a mudar e em poucos segundos, estávamos novamente no centro da biblioteca. O suor escorria por todo o meu corpo e os batimentos cardíacos não diminuíam. A outra espada caída já havia voltado para meu braço esquerdo em forma de bracelete, ficando apenas com a outra ativada, segurando em sua bainha.

— O que foi isso? — Perguntei ofegante

— Nosso primeiro teste — Ela ajeitava o cabelo caído no rosto.

— Teste?

— Sim. Ela criou uma magia com desafios que apenas semideuses podem cumprir. Para saber onde encontrar o livro.

— Ué, se tinha teste, porque Athena não fez e ela mesma descobriu?

— Sei lá. Deuses são confusos.

De fato ela tinha razão. Minha respiração já voltava ao normal quando uma escada dourada apareceu a nossa frente. Ligando o andar que estávamos para um acima. 

— Então o livro está em Buker Hill?

— Provavelmente — Ela balançou a cabeça assentindo.

Seguimos em direção a escada. Pisei devagar, para ser sincero, eu estava com um pouco de medo que ela sumisse da mesma maneira que apareceu ali: de repente. Chegamos ao segundo andar depois de subir 27 degraus. 

Parte II


Mais e mais livros estavam a nossa espera, provavelmente se eu vivesse num local como aquele, iria endoidar. Primeiro de tanto espirrar, livro velho me dava alergia, segundo porque não se via nada além de livros. Era de deixar qualquer um, louco. Me tornar Guardião, permitiu que adquirisse os conhecimentos do druidismo, é acredite, é bastante amplo. Eu gosto de saber das coisas, mas aquela biblioteca era exageradamente demais.

— Será que ela já leu todos? – Evie perguntou meio que inconscientemente — Tsc, é claro que sim, ela é uma deusa! Mesmo sendo Minerva... — Franzi a testa quando ela se referiu a deusa daquele jeito — Ela é bem diferente como Athena, não é?

— Sim, os filhos dela são poderosos no Acampamento Meio-Sangue — Respondi. Talvez em sua forma romana, a deusa, não seja bem quista.

Aquela era a primeira vez que havia parado para pensar: provavelmente éramos bastante diferentes. Não só na questão de pertencer a acampamentos diferentes, mas também, aparentemente, no modo de pensar. Olhei para a garota rapidamente, analisando-a. Ela tinha um ar de guerreiro que eu não possuía. Eu podia sentir que no fundo ela era uma pessoa boa apesar da imagem de séria que as vezes passava.

— Não pode ser! — A voz da garota quebrou o meu raciocínio — Como ela tem isso?

Virei o rosto em sua direção, vendo-a parar em frente a um grande livro antigo em meio a outros. Aquela seção era de fato interessante. Magias e afins. Outro livro do mesmo tema me chamou atenção, mas não tive nem tempo de refletir sobre o seu titulo. Quando estava me aproximando para ler, vi de lado a romana puxando o tal livro de Merlin. Tentei gritar ‘não!’, mas minha garganta secou instantaneamente.

Mexer em coisas do deuses não era algo de bom grado. Principalmente quando se trata de uma deusa furiosa por perder algo de sua coleção. Aquele meu pensamento havia se confirmado quando um estalo, que vinha de trás da prateleira, surgiu naquele momento.

— Isso não é bom! — Minha voz saiu meio que tremida em um desespero — Coloca isso no lugar!

Falei o mais rápido que podia. Mas não adiantou. Logo, o som de passos pesados tomava conta do local. Recuei algumas vezes até parar ao lado de Evie. Minhas pernas tremeram um pouco ao ouvir, em seguida, o som de lâmina contra uma superfície. A junção dos passos com a lâmina, tornava uma verdadeira sinfonia de filmes de terror. O que eu mais queria naquele momento, era ir embora dali. Engoli ao seco e tratei de ativar a outra espada e segurar, a que já estava transformada, mais forte em sua bainha.

Arregalei ambos os olhos quando avistei a criatura metálica vindo em nossa direção. Só faltava uma névoa ao redor e estar escuro para aquilo de fato ser um filme de terror. Já não bastassem aqueles monstros na entrada e agora uma armadura que se move sozinha? Olhei para a morena na mesma hora em que uma gota de suor escorria pela lateral de meu rosto. Nossos olhares se encontraram e eu tenho quase certeza que nossas mentes se conectaram por um instante, pois podia jurar que tinha ouvido-a pensar junto comigo: “Fodeu”.

Em meio aquela orquestra harmônica assustadora, era possível escutar barulhos de maquinaria abafados. O que significava que vinha do interior da armadura, ou seja, não se passava de uma espécie de autômato. Por um momento, me senti aliviado, respirando fundo e soltando em seguida. A ideia de enfrentar um espírito que possuía uma armadura, me arrepiava até os cabelos que não tinha. Saber que era uma máquina, deixava ele bem menos assustador.

— Beau! — Olhei-a na mesma hora — Isso é uma armadura, provavelmente tem os mesmos pontos fracos que uma armadura tem. Você pode segurar os ataques enquanto eu golpeio esses pontos?

Balancei com a cabeça, confirmando o seu pedido. Mais uma vez, fiquei aliviado, por ela tomar a frente daquilo. A verdade é que nunca tinha enfrentado um daqueles antes e ai não saberia o que fazer.

Girei o pulso direito, fazendo com que a arma que eu segurava participasse de tal movimento. Os passos pesados se aproximavam cada vez mais... Até se tornarem uma constante corrida. Meus batimentos aceleraram junto com os passos dele. Mordi meu lábio inferior antes de desviar do golpe que ele tentou desferir ao levantar sua grande lâmina e deixá-la cair em minha direção.

O fato de ser mais leve e rápido, era uma vantagem ali, conseguia fugir quase que com facilidade de seus ataques e sempre tentava desferir cortes em suas laterais ao passar junto. As ele era tão resistente que a única coisa que a lâmina fazia ao entrar em contato com a armadura, era sons de metais de chocando e algumas faíscas nas vezes que tentei percorrer com a ponta ao redor dele.

Em um desses momentos de esquiva, foi quando reparei a destruição que estava a se formar. Alguns livros já estavam espalhados ao chão. Se a Evie não fosse rápida o bastante, logo, todas aquelas prateleiras estariam no chão. E se a deusa já estava estressada antes, depois de ver aquilo, nos mandaria ao encontro de Thanatos sem dó ou piedade.

Mais uma vez, o autômato brandiu sua espada para o alto, antes de desferir aquele golpe vertical ainda mais forte. Ao ponto de rachar o chão. Dei uma cambalhota para o lado, fugindo de seu ataque. Ele demorou a se levantar, permaneceu com o corpo curvado, segurando a espada. Já estava me levantando para ir contra ele, quando avistei a filha da noite indo ao encontro surpresa (para ele).

Foi quando entendi o que ela quis dizer que ele havia partes frágeis. A garota atingiu o local de onde seriam suas axilas – se ele possuísse -, estava a atacar as dobras das armaduras. Por que não pensei naquilo antes?

— Beau! A parte de trás do joelho! É frágil também! — Ela gritou.

— Certo!

Respondi, talvez não alto o suficiente que ele conseguisse ouvir. Passei o braço pela testa, limpando o suor que escorria e corri até chegar atrás do inimigo. Sem pensar duas vezes, tratei de desferir um golpe contra a articulação do joelho, enfiando a espada na abertura que havia entre a armadura da coxa co ma panturrilha.

Ele caiu de joelhos após ser atingido, permitindo que Evie desse os golpes finais que o segurariam ali no chão por algum tempo. O autômato tentou levantar, mas a perna atingida por mim fraquejou e o manteve de joelhos. Tentou usar a espada como apoio, mas seu braço atingido pela Evie tremeu e fez uma sequência de barulhos estranhos. Ele estava faiscando enquanto tentava voltar a funcionar normalmente.

— Vamos sair daqui! — Falei já inclinando o corpo para a corrida.

— Espero que ele não exploda! — Ela falou já correndo ao meu lado.

Eu acho que ele iria explodir. O que eu esperava mesmo, era que não danificasse nenhum dos livros que ali estavam. Torci, para existir algum tipo de barreira mágica que os protegesse. 

— Não vamos contar essa parte para Minerva — Ela falou enquanto corríamos na direção do primeiro lance de escadas que avistamos.

Parte III

O cansaço já começava a tomar conta de meu corpo quando finalmente chegamos ao terceiro andar. AS duas espadas em minhas mãos já retornaram a suas formas de braceletes. Quem poderia imaginar que uma biblioteca pudesse ser tão perigosa? Por um momento desejei que o Apolo não tivesse me procurado para ajudá-lo. Aquele deus só me colocava em enrascada, sorte dele ser bonito e eu na conseguir odiar pessoas belas.

Aquele andar não tinha nada mais de diferente do que os outros. Mais livros que deixaram a Evie animada. Eu só espero que desta vez ela tenha aprendido a lição: Não tocar em nada. Respirava fundo por causa do cansaço que já era evidente. Se nós não estivéssemos subindo escadas, eu iria acreditar que estaríamos andando em círculos. Tudo igual.

Quando nos aproximamos do centro, a pequena arena formou-se mais uma vez. As estantes se moviam para o lado e dava espaço para que o desafio começasse. Eu não podia acreditar naquilo. De novo? Encarei a romana com um olhar incrédulo, sendo correspondido quaseque da mesma forma. Dei um leve pulo para trás de susto quando um tiro de canhão ecoou. Aquela biblioteca conseguia me surpreender a cada nível.

— Pela liberdade!!!!

O grito veio em algum ponto atrás de nós. Não tivemos tempo de virar o corpo, pois aquilo nos atingiu. Uma verdadeira legião trajando um uniforme antigo e azul. Ele marchavam com vigor, em mãos uma espingarda, na cintura, espadas sabres ou floretes. Eles passaram por nós como se não nos visse, indo de encontro a um outro inimigo. O que diabos era aquilo? Uma batalha? Eu olhava espantado para toda a cena.

— Isso parece... — Ela parecia estar tão besta quanto eu, não que eu soubesse do que se tratava, é claro — É uma das batalhas do período da independência!

“Quem eu sou?”

Aquela voz misteriosa do primeiro andar havia retornado. Revirei os olhos assim que ela terminou a sua pergunta. Agora era pior, ela queria saber alguém em específico. Bufei algumas vezes.

— Vamos, temos de enfrentar os malditos ingleses!

Evie falou de um jeito tão... Visceral. Era como se ela tivesse se sentindo parte daquela batalha. Olhei espantado para a garota. Ela havia se transformado de um jeito que me assustou, por sorte eu estava do mesmo lado que ela, porque se tivesse enfrentando-a, com certeza arrumaria uma maneira de sair correndo.

— Temos?! — Ela nem me ouviu, saiu andando seguindo o fluxo dos rebeldes — Evie, espera, temos que descobrir quem...

Qualquer tentativa de conversa seria inútil, ela não escutaria mesmo. Estava tão cansado que tratei de ativar apenas uma das espadas de bronze celestial. Eu realmente precisava fazer aquilo? Aqueles homens mal notaram a gente ali. A resposta veio quando um outra ode vermelho brandiu a espada em minha direção. Levei um susto e levantei a minha de modo que ambas as lâminas se tocassem, impedindo a dele de se aproximar de meu corpo.

Não que eu fosse um expert em esgrima, mas aquele homem e os outros ali presentes, pelo que pude perceber, atacavam como animais em busca de carne. Eles não queriam saber se estavam fazendo da maneira correta ou se estavam expondo alguma parte do corpo e deixando indefesa. Apenas investiam a procura de sangue em suas lâminas.

O homem de vermelho, realmente estava na minha cola. A todo tempo avançava fazendo grunhidos. Foi quando em um movimento rápido, empurrei-o para trás e brandi a espada de baixo para cima em seu corpo. A espada o ultrapassou como se fosse fantasma. Foi quando lembrei que aquele material não atingia mortais, apenas seres imortais ou com sangue divino, no caso semideuses. A única coisa que consegui fazer com aquele ataque, foi retirar o chapéu que ele usava, ao bater na aba com a ponta da espada, e revelar sua bela face.

Abri um sorriso de lago quando o observei. Ele de fato era muito belo. Tinha o rosto quadrado, característica que sempre me chamava atenção, feições bem delineadas e cabelos negros brilhosos. Estava ali a chance de me dar bem naquela missão e não ser algo apenas brutal. Dei uma piscada rápida quando seus olhos encontraram o meu. O seu olhar que antes estava com a pupila totalmente contraída de raiva agora dilatava, mostrando o interesse que surgia.

O rapaz soltou sua espada no chão enquanto ajeitava o seu corpo, ficando em uma postura ereta e me encarando de forma sorridente. Seus lábios carnudos davam um charme aquele sorriso.

— Qual o seu nome? — Perguntei enquanto me aproximava dele.

— Theo — Sua voz era rouca, não sei se pelo cansaço ou natural mesmo.

— Então, Theo... — parava com o rosto bem próximo ao dele — Por que não deixamos esse pessoal se atacando e partimos para uma forme de ataque mais atrativa? — Perguntava aquilo enquanto passava a mão por cima do seu casado vermelho, sentindo seu braço forte que não era possível perceber por causa das vestes.

“Quem eu sou?”

Eu teria conseguido o que queria se aquela voz misteriosa não tivesse me desconcentrado e ter feito o Theo sair do transe. Na mesma hora ele levou as mãos até as cinturas, o que me deu tempo de recuar, e retirou duas adagas de dentro de suas vestes. Ele andava com aquilo? Perigoso e sexual.

Aquela altura, a espada já havia voltado a ser bracelete, já que não estava utilizando-a. Também não me dei o trabalho de reativá-la’ já que não funcionaria contra ele. Minha real intenção com aquele ‘boy’, era outra. Sorri de lado enquanto desviava facilmente de seus golpes.

— Eu sei quem é! — Evie gritou. Por um momento eu havia até esquecido dela — É William Prescott, um dos comandantes da Revolução Americana!

E falando aquilo, os homens começaram a desaparecer lentamente. Antes de sumir, Theo se ajeitou e sorriu de forma gentil. Aquela garota acabara de me fazer perder uma possível foda. Encarei-a de forma não muito feliz, mas ao mesmo tempo confuso com tudo aquilo. Ela me encarou da mesma forma, mas fixando o olhar superior ao meu.

— Tem algo na minha cara? — Esperava que não saísse de forma grossa aquela pergunta.

— Na sua cabeça — Ela respondeu antes da pequena bola brilhante flutuar entre nós, provavelmente era o que estava em cima de mim — Ok, isso pode ser outra armadilha ou desafio...

Só nos restava descobrir o que era aquilo. Embora eu tivesse uma leve ideia do que se tratava. A romana pegou a luz com uma das mãos e quando voltou a abrir, um papel havia se materializado em seu lugar. Peguei-o sem nem pedir licença, lendo em voz alta o que estava escrito.

— A verdadeira história de William Prescott e os Segredos Místicos da Independência. Acho que esse é o livro! E aqui tem um monte de números, deve ser a localização do livro pois parecem códigos de longitude e latitude.

Não pareciam. Eram. Como guardião eu sabia daquilo. Um de meus deveres era o de localizar objetos perdidos. Talvez aquela bola fosse um de meus poderes recém descobertos, não sei. Mas não tinha como eu saber onde o livro estava desde o inicio, já que não fazia noção de qual se tratava. Para poder conseguir a localização exata, eu precisaria saber o que estava procurando.

— Vamos procurar Minerva e terminar de uma vez com isso.

Concordei imediatamente. Não aguentava mais passar um minuto naquele lugar. Por sorte não tinha outro andar para ir, indicando que não haveria mais surpresas. Voltamos a descer as escadas que encontramos, retornando para a entrada, onde ouvimos os barulhos da deusa raivosa pela primeira vez.

Ela estava na entrada de seu templo, andando impacientemente de um lado para o outro. Olhei para a Evie que inclinou com a cabeça como se falasse para eu ir na frente. Ótimo, agora eu que seria o primeiro a ser fuzilado.

— Senhora?

Ela me fitou um olhar ameaçador e fulminante, que me fez bambear as pernas algumas vezes. Ela avançou, literalmente, em minha direção. Se eu não tivesse aberto a boca para falar, talvez ela tivesse me atacado.

— Encontramos seu livro.

A tensão do local logo mudou, transformando-se em um ambiente calmo e convidativo. Relaxei os braços, era como se tivesse tirado uma pedra das costas. Tratei logo de contar o acontecido para a deusa, agora bem mais calma.

— Charlestown! — A deusa falou assim que recebeu o papel e leu as coordenadas — Sei agora onde está o meu precioso livro. Espero que ele não tenha causado nenhum estrago...

Não entendi muito bem o que ela quis dizer com livro causando estrago, mas nada ali parecia ser apto a entendimento. Então dei de ombros, ignorando a sua fala.

— Missão completa, Senhora — Evie falou ao meu lado — Estou voltando para o Acampamento.

— Pois bem, eu também — Tratei de imitar o movimento dela, fazendo uma breve saudação em direção a deusa, mas me levantando de uma forma destrambelhada rapidamente — Ah, já ia me esquecendo! Apolo que me procurou para ajudá-la, ele que me mandou aqui.

A deusa semicerrou seus olhos ao ouvir aquilo, mas assentiu. Provavelmente ela sabia que o deus do sol queria algo com aquilo e que por isso foi atrás de alguém para ajudá-la.

— Foi uma honra lutar ao seu lado, Bo.

Foi engraçado a maneira que ela me chamou. Mas abri um largo sorriso, correspondendo ao dela. Balancei a cabeça, confirmando o que ela dizia, estava tão cansado que já não conseguia mais falar. Esperava que pudesse encontrá-la posteriormente, sem ser em missão, algo me dizia que poderíamos ser amigos. Mesmo ela estando em um lugar completamente oposto ao meu.

Andei em direção a saída. Mais uma vez, Apolo havia me colocado em uma enrascada de me levar para os locais sem me dizer como ir embora dali. Revirei os olhos de raiva ao lembrar dele. Precisaria arrumar uma maneira de retornar ao acampamento.

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MensagemAssunto: Re: Beau G. Edmond [Postagens]   Qua Fev 01, 2017 10:39 pm



O Medo de Afrodite
I'm a stupid adviser
Finalmente paz. Fazia quatro dias desde a grande confusão envolvendo os deuses do Olimpo. Primeiro, Dionísio, por vingança, engravida um monte de mulheres ao mesmo tempo, deixando Hera louca. Depois, Apolo, tenta conquistar uma mortal que é a reencarnação de Helena de Tróia e só consegue por causa de meu poder. No dia seguinte, ele aparece em meu quarto querendo que eu ajude Athena a encontrar um livro que ela perdeu, mas eu precisava dizer que ele que tinha me mandado lá, provavelmente queria algo com ela. E quando eu achava que finalmente estava livre, ao sair da biblioteca da deusa, escuto uma explosão que acaba por me levar ao laboratório de Hefesto. Resultando em ajudá-lo a descobrir onde será a próxima traição de Afrodite com Ares, informação que para conseguir, precisei dormir com o meu tio, Hímeros.

Passei a mão em minha testa, limpando o suor que escorria só de lembrar de tudo aquilo que vivi nesses últimos dias caóticos. Por fim, estava livre, vivendo os dias de forma tranquila no acampamento. Já se passavam das 13 horas, quando decidir ir ao refeitório para almoçar. Se tinha duas pessoas lá, era muito. Peguei a comida e me sentei em uma das grandes mesas vazias. Quer dizer, a que eu escolhi, parecia estar vazia. Foi só eu sentar, para um homem loiro de vestes de cetim, aparecer ao meu lado.

— Você está encrencado.

Assustei-me ao perceber quem era o homem ao lado. Hímeros, o meu tio que eu havia citado ali em cima e que dei um bolo nele há três dias. Ele estava diferente, agora uma barba rala cobria o seu rosto e era bem entranho vê-lo daquela maneira, bem vestido. Ou melhor, com roupas.

— Hímeros! O que você está fazendo aqui?

— O que será? — Ele me olhos com desdém. Era fácil me controlar perto do Erote, pois desta vez ele não emitia a sua aura sexual, provavelmente estava chateado comigo — Eu descobri tudo. Você irá concertar o seu erro.

E sem que eu pudesse falar nada, ele me levou para o local onde vivia com a sua mãe. Toda a estrutura do acampamento havia se transformado na casa luxuosa que tive o prazer, ou desprazer, de conhecer esses dias. Estávamos parados em frente a uma grande porta de ouro maciço com filetes em ouro branco.

— Ai ai ai, o que houve?

Ele me prendeu contra a parede ao lado da porta, me segurando pela golada camisa que usava e apoiando o braço direito no paredão.

— Eu sei que foi você que falou a Hefesto do encontro de minha mãe com Ares — Era possível ver chamas no interior do olho dele — Ele conseguiu aprontar e ela agora está ai dentro, não sai de jeito maneira.

Caramba! O que o deus das forjas aprontou? Três dias sem sair do quarto? O sentimento de culpa me veio na mesma hora, me fazendo abaixar a cabeça e nem conseguir mais olhar o deus nos olhos.

— E pra piorar — Tem mais? — Duas ninfas tentaram trazer comida para ela, entraram e até hoje não saíram. Ninguém tem coragem de entrar aí dentro mais.

— Ai sobra pra mim...

— Claro! — Ele vociferou — Você foi responsável por isso, agora resolva!

E me soltou para colocar sua mão na porta, magicamente, uma pequena entrada se abriu e ele me jogou lá dentro. Tentei virar para reclamar, mas a entrada já havia desaparecido. Respirei fundo antes de observar o lugar onde estava. Aquele quarto era gigantesco. Cheio de almofadas em tons de rosa, um belo lustre de cristal, cortinas que combinavam com o estofado e com o jogo de cama da cama de casal, um viveiro com duas pombas brancas,o símbolo da deusa. Enfim, se eu fosse contar tudo que existia ali, precisaria de dois dias.

— Quem é?

A voz vinha da cama. Mais precisamente de uma colina que se formava no meio dela, indicando a presença de alguém, escondido em baixo das cobertas.

— Beau, filho de Eros.

— O que você quer?

— Seu filho, Hímeros, me mandou aqui para ajudá-la.

— NINGUÉM PODE ME AJUDAR! — E caiu em um choro desesperado — Vá embora!

Por mais que eu quisesse, eu não podia. Iria carregar a culpa em minhas costas eternamente. E se ela soubesse que eu tava envolvido na vingança de Hefesto, aí que não daria certo mesmo. Tratei de caminhar até me aproximar do pé da cama.

— Você sabe que é minha avó né? — Era até meio idiota falar aquilo — E eu nunca conheci ninguém da minha família, mas aprendi que quando tivesse uma, não poderia deixar alguém que fizesse parte dela, sofrer. Então, não vou embora ate lhe ajudar.

— Claro que sei! — Ela se calou para escutar o que eu falava — Você até que fala bonito, para alguém que não acredita no amor.

Ela precisava lembrar daquilo? Estava de frente para a deusa que representava aquele sentimento. Passamos alguns segundos em silêncio até que ela decidisse abaixar a coberta e revelar sua face. De fato, era uma das mulheres mais belas que já vi. Seus cabelos reluziam o pouco da luz do sol que moça as janelas dali, ora loiro, ora dourado. Por que aparentemente eu era o único da família que não herdou a coloração de tais cabelos? Loiros eram meu ponto fraco.

— E então, posso saber o que aconteceu?

— Meu marido. Hefesto — Ela falou de um jeito como se não fosse algo bom ser casada com ele — Criou uma espécie de câmera que transmite para todo o Olimpo, quando se está ativada. E distorce a pessoa. Durante meu encontro as escondidas com Ares ele fez isso e me deixou gorda para todo mundo ver. Agora todos daqui viram um ‘não corpo’ meu.

E voltou a cair no choro após contar a sua ‘triste’ história. Era até estranho ouvir aquilo, afinal, quem acharia que ela não era bela com qualquer corpo que a parecesse.

— Calma, é só por isso que a senhora não quer sair?

— Só?! Só?! Você acha pouco?!

— Mas, vó — Eu não sabia nem se podia chamá-la daquela maneira — Você é a deusa da beleza, fica linda em qualquer corpo, em qualquer roupa.

— Eu sei! — Ela já parecia um pouco mais confiante — Mas aquele não era meu corpo real. Agora as pessoas acham que o jeito que Adam por aí, é pra esconder quem eu sou de verdade.

Ai que confusão. Como eu ia poder dizer a ela que aquilo não tinha nada de errado? Ou melhor, que as pessoas logo esqueceriam?

— Veja bem — Falei enquanto tomava a liberdade de sentar na ponta da cama, eu estava virando um folgado de carteirinha — Logo as pessoas esquecem. Mas se isso é tão importante pra você, por que não junta a todos para um pronunciamento e explica o ocorrido?

— Acha que vai funcionar?

— Ué. Você pega a maquina de Hefesto, mostra como funciona e ai entenderão que foi um truque. E se não tentar, nunca vai saber.

— E então, eles voltarão a me amar — Ela sorriu — Já sei! — Falou pulando da cama e em um estalar de dedos, seu vestido grego branco que usava, havia se transformado em um robe de  cetim rosa. Provavelmente estava sem roupas intimas por baixo — Vou também mostrar a eles, meu corpo de verdade!

Como é?! Não não! Eu fiz a deusa querer aparecer nua em público? Meu deus, eu não prestava para conselhos. Ela saiu correndo em direção à porta.

— Senhora, espera!

— Sim? — Falou já com a mão na maçaneta dourada.

— O que aconteceu com as ninfas que entraram aqui esses dias?

— Ah, já ia me esquecendo delas.

E com um balançar de mãos a porta do viveiro se abriu, fazendo as duas pombas brancas voarem para fora e começarem a tomar uma forma mais humanoide. Abri a boca assustado ao ver aquilo. As ninfas, depois de recuperadas, trataram de sair em desespero do quarto, passando sem nem encarar a deusa novamente.

Afrodite deu um sorrisinho e balançou os dedos da mão direita, um típico ‘bye bye’ de patricinhas que vimos em filmes. Respirei, aliviado, e me joguei na cama. Por sorte não foi preciso dizer que ajudei Hefesto com aquilo. Já estava me levantando para sair, quando o estalar de porta indicava a presença de alguém.

— Para onde pensa que vai? Você me deve um encontro.

Hímeros sorriu de forma sacana ao fechar a porta atrás dele. Eu estava ferrado.

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