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 Missão que nunca vai acontecer

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AutorMensagem
Abramov Levitz

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Data de inscrição : 23/11/2017

MensagemAssunto: Missão que nunca vai acontecer   Sex Out 26, 2018 2:12 am

SACRIFICE
666
Corvus oculum corvi non eruit
Fantasmas são culpa. São segredos. São arrependimentos e fracassos. Mas muitas vezes, um fantasma é um desejo. Como uma família é um desejo. Ele pode ser como uma casa. Uma casa assombrada. Fantasmas vivem conosco desde antes de nós os percebermos. Notá-los, no entanto, pode significar abrir uma porta que jamais poderá ser fechada novamente...

Jeffrey estava deitado na cama de um quarto de um hotel aleatório. Vagando por aí sem rumo, parar em locais do tipo era a única coisa que seu dinheiro escasso e temor de permanecer em um lugar por muito tempo o permitiam fazer. Na cabeceira de sua cama, apenas a faca de bronze celestial que costumava usar como arma para tudo. Sonolento e no escuro, não tardou até o semideus pegar no sono.

Em seu sonho, estava de volta à infância perturbadora que tivera. Com seus sete anos, ouvia a gritaria de seus foster parents no andar debaixo enquanto seus outros dois irmãos mais novos choravam na beliche por conta da noite chuvosa. Tremendo devido ao medo também, o mais velho ousou andar até a porta do quarto para trancar a porta.

Ele sabia que, após a discussão, seu pai subiria para descontar neles a raiva do momento. Dessa forma, trancar a porta era a única maneira de tentar impedi-lo de o fazer. Contudo, para desespero das crianças, o homem só se irritou mais ao tentar entrar no quarto e perceber que este estava trancado. Com um chute forte, ele arrombou a porta e adentrou o recinto furioso.

O irmão mais velho, sentindo seu coração quase sair pela boca, não tentou intervir ou proteger os outros. A verdade era que ele pouco se importava com sua família, só não queria apanhar de novo. Encolhido na sua cama que ficava do outro lado do quarto, o garoto viu o homem bater nas outras crianças por longos minutos até que, claramente alterado de raiva, se virou para ele.

A voz do mortal ruim por si só já era suficiente para fazer o menino mijar na cama. Quando ele se aproximou então, Jeff sentiu que seu coração iria sair pela boca. Por mais que tentasse tapar os olhos com as mãos, algo ainda o fazia visualizar o rosto de seu carrasco. No instante em que o murro aconteceu, a dor da porrada o fez acordar do pesadelo.

O suor do sonho ruim encharcou a cama do semideus, que, assustado ainda, buscou pelo relógio na cabeceira da cama, mas não o encontrou. No escuro da madrugada era possível enxergar poucos metros à frente de si e toda luz que adentrava o recinto vinha da janela entre-aberta. Exasperado, o meio-sangue tentou se acalmar sem se levantar da cama.

Era apenas um pesadelo, dizia para si mesmo.

Sua faca reluzia de leve no escuro e, quando olhou para ela distraído, não percebeu o vulto que surgiu avante sua cama. Absorto da realidade, já não mais aguentava aqueles sonhos. Toda noite quando se deitava para dormir tinha de lidar com algum momento do passado assombroso e ruim. E ali, no dia das bruxas, não era diferente.

Sonolento, Jeffrey enfim se virou para frente e o que viu não o agradou: uma assombração; ou pelo menos era o que acreditava. Uma mulher com roupão branco e longo estava parada no quarto. Seus cabelos enrolados caíam na altura de sua bunda e dois anéis de metais estavam presos aos seus pulsos. Deles, correntes de ferro jaziam penduradas até o chão.

MAS QUE PORRA! deu um pequeno pulinho sentado, por conta do susto.

— Não se assuste, semideus, estou aqui em paz — ela disse mantendo um semblante tranquilo, mesmo com as órbitas oculares vazias — sou Andrômeda.

O nome da princesa bastou para alarmar o filho de Hermes, que ficou surpreso com a presença da famosa figura mitológica ali. Ele sabia, por outro lado, que durante aquele mês os mortos podiam andar livremente pelo mundo dos vivos. Todavia, o que Andrômeda queria com ele, por outro lado, lhe era desconhecido.

O que você quer? questionou, atônito.

— Eu não sei, ainda — confessou — às vezes nós simplesmente surgimos aqui para um propósito maior que nosso conhecimento ou vontade.

A resposta, obviamente, de nada adiantou. Em silêncio, por não saber o que fazer, o rapaz apertou o lençol firme contra as palmas das mãos. Seguindo a isto, o fantasma da herdeira da Etiópia flutuou até o lado da cama e, com um tato gentil, encostou levemente sobre o rosto do semi-mortal.

O toque da morta com o vivo resultou em uma experiência sobrenatural incomum. Os olhos de Kinkade se iluminaram como ele fosse um astro e sua boca abriu emitindo a mesma luz. Estava em transe, assim como a princesa que emitiu a mesma luz dos mesmos lugares.

E então o passado retornou com força.

Jeffrey estava de volta às ruas de Nova York, cerca de quatro anos antes da atualidade. A chuva forte caía sem parar na metrópole, castigando os desavisados de sua chegada e os desprovidos de proteção. Ele notou que estava ali como uma assombração, já que seu corpo parecia andar independente de sua vontade.

"Para!", tentou gritar para si mesmo, mas foi em vão. Quando, sem controle, atravessou uma das avenidas sentido o norte da cidade, quase foi atropelado por um táxi.

— Olha por onde anda, idiota — o taxista gritou da janela, conforme o semideus fez um gesto obsceno e seguiu caminho.

"Não, não", sabia exatamente que dia era aquele e o que aconteceria a seguir. Só não queria ter de passar por aquilo novamente. Era desesperador ter consciência mas não poder controlar seu próprio corpo ou saber o que ele, seu eu do passado, estava pensando. Ainda que ele soubesse exatamente o que pretendia fazer.

Após minutos de caminhada, dada a velocidade absurda do meio-sangue, ele enfim alcançou uma floresta já nos limites da cidade. Obrigado a reviver aquilo, se lembrou do que aconteceria depois, então quando os morcegos que se abrigavam nas copas das árvores voaram com a presença do humano, não se assustou.

O semideus avançou em meio à chuva por vários quilômetros, imparável e como se estivesse em frenesi. Aquilo tinha sido muito tempo após a guerra dos titãs. Aquele tinha sido o dia em que ficara sabendo, através de um contato, do paradeiro de sua mãe. Entretanto, a verdade, que deveria ser alegre, na verdade se provou tortuosa.

Laura, a mortal pela qual Hermes se apaixonara e que abandonara o filho nas ruas pouco tempo após seu nascimento, esteve perto dele todo esse tempo. Pior, sob a identidade de outra pessoa. Jude Kinkade fora o descendente de Afrodite que resgatara o menino da desgraça. Este criou o menor em uma mansão isolada durante toda sua adolescência junto a outros semideuses. Porém, apenas com o desejo de um dia poder consumi-lo em algum tipo de ritual para a imortalidade.

Jeffrey matar seu salvador e carrasco antes de fugir e enfim alcançar o acampamento. Entretanto, nunca imaginou que sua mãe tinha sido uma das serviçais que trabalhava na mansão. Pior, fora ela quem dissera onde e como encontrar o menino. O fato é que ela, arrependida, fez aquilo para tentar salvar a cria das ruas e perdição, mas apenas o amaldiçoou a uma vida ainda pior.

Naquela noite chuvosa, ele não estava marchando até a mansão para um reencontro caloroso. Não. Ele marchava para matar. Encobrido em ódio e amargura, o delinquente atravessou todos os limites da propriedade herdada por um dos semideuses que eram criados por Jude. Jeff, passando por aquilo novamente, tentou
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